segunda-feira, fevereiro 28

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QUE SAUDADES DO MAIO DE 68 Com a entrada de Thierry Breton (direita) para o governo francês, onde já estava Jean-Louis Borloo, entra oficialmente na moda o estilo "despenteado e óculos na ponta do nariz".

Em Portugal, o corte mais popular na política é aquele um bocadinho comprido atrás, estilo futebolista. O chamado "corte à foda-se".

domingo, fevereiro 27

NO CAFÉ Perguntei no sábado a um amigo israelita de Tel Aviv: "- Não ficas preocupado quando há atentados? Não telefonas à família e amigos para saber se estão todos bem?" Resposta: "- Sabes, basta saber onde foi o atentado para perceber se poderia conhecer alguém. Os meus amigos não frequentam a zona do passeio marítimo."

sexta-feira, fevereiro 25

INEVITÁVEL O ministro das Finanças francês demitiu-se. Afinal há vergonha na cara e os políticos não são apenas sancionados nas eleições. A democracia agradece.
HERVÉ GAMAR

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Ou muito me engano, ou o ministro das Finanças francês não vai durar muito mais. O problema não está no escândalo que foi saber-se que tinha alugado um apartamento por 14.000 euros mensais à custa do Estado. As regras do "alojamento de função" não eram suficientemente claras e cada um faz a interpretação que lhe convém. A questão é a transparência - ou melhor, a falta dela - com que o assunto foi gerido. Nos últimos dias Hervé Gaymard quis aparecer como uma vítima que, por ser filho de sapateiro, não teria meios para ter casa própria digna de receber a mulher e os oito filhos e que estava a ser alvo de perseguição. Mas a imprensa já revelou que o ministro tem afinal um apartamento de 200 m2 em Paris (e que está arrendado abaixo do preço do mercado) e mais propriedades no resto do país, o que fez dele um dos contribuintes para o famoso "Imposto sobre a fortuna"em 2003.

Pela boca morre o peixe. Dizem os especialistas da comunicação que, nestes casos, o melhor é dizer logo tudo de uma vez e não deixar a coisa transformar-se numa novela. Mas foi o que aconteceu. O requisitório final vai ser feito hoje, no telejornal da TF1, e dele depende a sua permanência no governo. A postos devem estar já os institutos de sondagens para saber se o povo acreditou ou não. Não seria mais democrático e republicano que isto fosse esclarecido no Parlamento? Não, talvez porque tanto a direita como a esquerda têm telhados de vidro.

quinta-feira, fevereiro 24

NEVE Eu sei: é idiota, é infantil, é provinciano. Mas nevou ontem em Paris como nunca tinha nevado nos três Invernos que cá passei e não resisti a tirar umas fotografias.

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quarta-feira, fevereiro 23

IRONIAS Por imbirrância politiqueira, o PS recusou-se nestas eleições a colaborar numa experiência de voto electrónico realizada com os portugueses residentes no estrangeiro. A diferença em relação ao teste que foi feito em Portugal é que este era feito nos computadores pessoais, através de um código pessoal e da Internet. Sem querer voltar aos argumentos débeis usados em tempo de campanha eleitoral para rejeitar o conceito - proposto por um organismo público -, importa reter a urgência de desenvolver este sistema rapidamente. Seria uma contribuição para aumentar a fraca participação em zonas remotas e a centenas de km dos consulados e aceleraria em duas semanas a publicação dos resultados e a entrada em funções do novo governo, hoje refém de um voto por correspondência arcaico e pouco eficaz. E seria um sinal de que a tecnologia é realmente um pilar de desenvolvimento do país e não apenas um pregão de feira.

terça-feira, fevereiro 22

BRASSNECK Hoje vou falar-vos de uma das vantagens de viver numa cidade do mundo civilizado e ela chama-se Wedding Present. Por influência do "big brother", ouço estes gajos há mais de 15 anos e vi-os ao vivo em 1996 no Festival de Reading. Agora, depois de cinco anos de ausência, o cabecilha David Gedge recrutou novos músicos e lançou a 14 de Fevereiro um novo álbum, "Take Fountain". Onde é que está vantagem de Paris nisto? É que os Weddoes iniciaram uma digressão pelo Reino Unido, Alemanha, Suíça, Holanda, Noruega e Paris está no caminho. É a 16 de Março e os bilhetes já cá cantam.

segunda-feira, fevereiro 21

ONDA ROSA Primeiro Espanha, depois Portugal. Segue-se provavelmente França na lista dos países onde a esquerda deverá retomar o poder, dentro de dois anos. Há quem diga que a alternância é um dos pilares da democracia. Mas é também uma constatação da incapacidade de satisfação dos eleitores. E o povo é soberano.

domingo, fevereiro 20

IMPRESSOES Muito do que se passa em Portugal, infelizmente, vejo através dos jornais e televisões e talvez por isso seja mais crítico com os media portugueses. Por exemplo, fiquei abismado quando a SIC, que me tem dado as imagens mais críticas e saborosas dos comícios e da campanha eleitoral, mostrou o video completo de Durão Barroso a apelar ao voto no PSD. Ou seja, tempo de antena em pleno Jornal da Noite, quando a notícia era a intervenção - discutível - de um dirigente europeu. Hoje, o mesmo Durão Barroso apareceu na RTP a falar em inglês depois de votar... Presunçoso? Ou será que foi porque ele foi votar mais cedo (para viajar ao encontro de Tony Blair, versão oficial), os repórteres portugueses não estavam e as imagens foram cedidas por uma televisão estrangeira? Custava explicar? Nas reportagens sobre o voto dos políticos portugueses, apreciei ver que Francisco Louçã guarda a carteira no bolso de trás das calças (um pormenor, apenas isso) e que Mário Soares se conformou a aguardar a sua vez de votar atrás de muitas pessoas, em sinal de respeito pelos seus concidadãos.

quinta-feira, fevereiro 17

MORDOMIAS Em França existe uma tradição muito engraçada que é o "alojamento de função". É assim que as porteiras portuguesas têm a sua "loge" nos prédios onde trabalham, tal como alguns empregados das escolas ou estabelecimentos públicos. Por exemplo, um dos meus vizinhos mais afortunados é o director do "Jardin des Plantes", um jardim secular no coração da cidade com animais e vegetação suficientes para fazer crer que se acorda no campo. Por inerência do cargo, os ministros têm também direito aos alojamentos de função, que podem ser nos respectivos ministérios ou alugados. A polémica surgiu quando o titular das Finanças, Hervé Gaymard, decidiu alugar dois apartamentos de 300 m2 cada - em duplex - para instalar a sua família, composta pela mulher e oito filhos. Custo: 14 mil euros por mês saídos dos cofres do Estado. Primeira explicação: no ministério só há espaço para dois ministros e nós somos quatro. Segunda explicação: para as crianças não mudarem de escola. Terceira explicação: trabalho 120 horas por semana (no total, a semana tem 168 horas) e não podia perder tempo a procurar. Face ao escândalo, o governo definiu novas regras: cada ministro tem direito a 80m2 mais 20m2 por cada filho, o que perfaz 240m2 para a família Gaymard. Digamos que, para Paris, não é nada mal, tendo em conta os 20 m2 que normalmente calham às nossas porteiras. Mas no meio desta história houve um pormenor que me tocou. Foi o chefe de gabinete do primeiro-ministro que aprovou o negócio e não o próprio Raffarin. Será o mesmo de Martins da Cruz?
EMPREGOS Em Portugal, José Sócrates elegeu como objectivo criar 150 mil empregos em quatro anos e logo vieram acusá-lo de demagogo e populista. Promessas de campanha eleitoral. Mas em França não há eleições legislativas antes de 2007 e o primeiro-ministro, Jean-Pierre Raffarin, já prometeu 150 mil empregos só para 2005. Para não se ficar atrás, o ministro da Coesão Social, Jean-Louis Borloo, desenhou um plano para criar 500 mil postos de trabalho em três anos! À pergunta sobre em que modelos estrangeiros se inspirou para a série de medias que propõe (redução de impostos para os trabalhos domésticos, favorecimento dos serviços), respondeu: nenhum. "Na verdade, penso que a França tem os meios de se tornar num modelo de referência".

quarta-feira, fevereiro 2

TEATRO AMADOR. A desactualização deste blogue vê-se pelos seus links. Quase metade dos blogues que estavam aqui ao lado pura e simplesmente desapareceram. O que é impressionante – para mim, pelo menos, que tenho andado desatento – é o destino que cada um dos autores seguiu. Merecia um estudo. Mas o que mais me divertiu na mudança da nossa blogosfera nem foi isso. Foi a chegada dos políticos a estes espaços. Não propriamente as páginas dos líderes partidários, que tinham muito poucas possibilidades de melhorar o péssimo, mas de alguns wannabes cómicos da nossa praça. Veja-se esta pérola:
Tive uma noite de folga na campanha. Aproveitei para ir assistir ao encerramento do Festival de Teatro Amador, da Póvoa de Lanhoso. A iniciativa pertenceu à Associação Cultural Juventude Povoense, com o apoio da Câmara Municipal. O Theatro Club estava esgotado. Em cena, estava a peça “A outra face da vida”, da autoria de Guerra Conde Júnior. Gostei e apreciei. Parabéns e felicidades.
Quem não ficou convencido não merece votar.

segunda-feira, janeiro 24

MAOS FRIAS, CORAÇAO QUENTE A Protecção Civil em Portugal alerta: "O ar frio não é bom para a circulação sanguínea. Evite actividades físicas intensas que obrigam o coração a um maior esforço e podem até conduzir a um ataque cardíaco". Lido nas entrelinhas: "Se possível, fique em casa e faça uma dieta à base de carnes gordas, como foca ou baleia. À falta disto, um cozido à portuguesa pode ajudar a manter a temperatura do corpo, mas, se verificar que não resulta, beba dois ou três copos de vinho. Aconselham-se as sobremesas ricas em açúcar e ovos. Se, entretanto, os níveis de colesterol subirem subitamente e sentir problemas cardíacos, paciência. Se tivesse ido para o frio podia ter sido pior."

domingo, janeiro 23

CONAN Já sei que quando se fala no Conan começam logo todos a discutir sobre os desenhos de animados de infância, uns a cantar a Abelha Maia de um lado e outros a ralhar a violência do Dragonball do outro. Independentemente de serem, sem dúvida, os desenhos animados onde mais vezes se diz uma asneira (cona), o Conan é uma série do caraças. Acabei de (re)ver o último episódio e é daquelas séries que apetecem voltar a ver de início. Há duas semanas que estamos a ver os episódios a conta-gotas para prolongar o prazer. Mas nos últimos dias não aguentámos e acelerámos o ritmo. Felizmente, o Conan não é apenas uma feliz recordação de miúdo. É um primeiros trabalhos do Hayao Miyazaki, que hoje é famoso pela "Viagem de Chihiro" ou "Princesa Mononoke", mas que tem outros filmes lindíssimos, como "O castelo no céu". Na semana passada fui ver o mais recente filme do autor, "The Howl's Castle" (em francês, "Le chateau ambulant") e hoje tudo bate certo. O herói da minha infância não é o Conan. É o Miyazaki.

terça-feira, janeiro 11

DOENTE Ontem confirmou-se que os noticiários da SIC são cada vez mais feitos com o alinhamento do Correio da Manhã: para ilustrar uma notícia de um choque entre um comboio e um automóvel, a SIC pediu a fotografia ao jornal! E nem sequer havia mortos...

quinta-feira, novembro 4

AS CONCLUSÕES DIFÍCEIS DAS ELEIÇÕES AMERICANAS:
1) Bush teve uma vitória avassaladora. Televisões e jornais ingleses (os de esquerda) não conseguem fazer um balanço sem deixar cair a expressão «narrow margin». É falso. Foram estas mesmas televisões e jornais que me ensinaram como o sistema eleitoral americano assenta num país dividido em duas partes quase iguais, com uma franja de eleitores voláteis muito pequena. Por isso mesmo, os resultados são sempre aproximados e dependem dos (poucos) Estados onde as duas forças estão mais equilibradas. Ora Bush conseguiu guardar os bastiões republicanos; ganhou em quase toda a linha nos territórios indecisos e até chegou a ameaçar alguns portos seguros dos democratas. As estatísticas ainda dizem mais: nenhum presidente conseguiu reunir tantos votos populares.
2) A opinião da imprensa não faz ganhar eleições. Alguém se lembra de algum título de referência que tenha apoiado George W. Bush? New York Times, Washington Post, Economist... a lista de derrotados é incrível.
3) A guerra foi referendada. E ganhou a opinião dos que a apoiaram. Durante o auge de John Kerry nas sondagens, editoriais de todo o mundo reclamavam que, tal como aconteceu com Aznar, o povo iria manifestar-se sobre o conflito. É inteiramente verdade. E agora é forçoso reconhecer que nos Estados Unidos o resultado foi diferente. Tal como diz o editorial de hoje do Telegraph: «Bush’s re-election demonstrates that the leaders of the war on terror have enough support to preserve in their task». A triste verdade.
4) Os americanos gostam de Bush. Por muito que custe a europeus e intelectuais MichaelMoorianos, a administração Bush é aquilo que os americanos querem. A economia está mal, a guerra parace ser infindável, as notícias de raptos e mortes são diárias, o antiamericanismo cresce no exterior e a imprensa não pára de bater. E mesmo assim, o cowboy ganhou.

quarta-feira, novembro 3

PUTAIN, QUATRE ANS! Faço minha a exclamação do Courrier International.

segunda-feira, novembro 1

IGREJA Terminou hoje em Paris uma mega-operação de charme da Igreja Católica. Durante uma semana foram organizados debates, concertos, teatro e muitas animações por toda a cidade, tudo para tentar recuperar uma visibilidade que lhe tem faltado nos últimos tempos. Para isso, teve de recorrer a alguns "truques" para chamar a atenção das pessoas, em especial dos jovens: concertos de "pop-rock cristão", "girls bands" e uma cruz de 17 metros plantada em frente à Notre Dame. Mas nem a mobilização anunciada de milhares de pessoas consegue esconder a perda de influência do Vaticano no Mundo: George W. Bush invadiu o Iraque, apesar dos pedidos contrários do Papa, Buttiglionne foi afastado da Comissão Europeia por seguir a doutrina do Vaticano e a Constituição Europeia acabou por ficar sem a referência à "herança cristã". Deus lhes valha.

quarta-feira, outubro 27

MARCELO E O DN. Hoje vi todos os noticiários e jornais portugueses. Li comunicados e reacções. Ouvi desabafos e rumores.
Depois fui aquecer água para fazer o café manhoso do supermercado aqui do bairro. Odeio café manhoso. Sentei-me no sofá roçado de casa sem deixar de pensar que o senhorio ainda me há de fazer pagar estes estragos que não fiz. Puxei um cigarro do maço de 7,5 euros e reparei que a porra da chuva não parava.
1585 quilómetros separam-me de Lisboa.
É o que me vale.

sábado, outubro 23

FUNDAMENTALISMOS. De acordo com a imprensa inglesa de hoje, esta é a nova forma de a União Europeia potenciar o vício do paternalismo. Como sempre, vou fumar um cigarro para não me irritar mais.