segunda-feira, janeiro 24
MAOS FRIAS, CORAÇAO QUENTE A Protecção Civil em Portugal alerta: "O ar frio não é bom para a circulação sanguínea. Evite actividades físicas intensas que obrigam o coração a um maior esforço e podem até conduzir a um ataque cardíaco". Lido nas entrelinhas: "Se possível, fique em casa e faça uma dieta à base de carnes gordas, como foca ou baleia. À falta disto, um cozido à portuguesa pode ajudar a manter a temperatura do corpo, mas, se verificar que não resulta, beba dois ou três copos de vinho. Aconselham-se as sobremesas ricas em açúcar e ovos. Se, entretanto, os níveis de colesterol subirem subitamente e sentir problemas cardíacos, paciência. Se tivesse ido para o frio podia ter sido pior."
domingo, janeiro 23
CONAN Já sei que quando se fala no Conan começam logo todos a discutir sobre os desenhos de animados de infância, uns a cantar a Abelha Maia de um lado e outros a ralhar a violência do Dragonball do outro. Independentemente de serem, sem dúvida, os desenhos animados onde mais vezes se diz uma asneira (cona), o Conan é uma série do caraças. Acabei de (re)ver o último episódio e é daquelas séries que apetecem voltar a ver de início. Há duas semanas que estamos a ver os episódios a conta-gotas para prolongar o prazer. Mas nos últimos dias não aguentámos e acelerámos o ritmo. Felizmente, o Conan não é apenas uma feliz recordação de miúdo. É um primeiros trabalhos do Hayao Miyazaki, que hoje é famoso pela "Viagem de Chihiro" ou "Princesa Mononoke", mas que tem outros filmes lindíssimos, como "O castelo no céu". Na semana passada fui ver o mais recente filme do autor, "The Howl's Castle" (em francês, "Le chateau ambulant") e hoje tudo bate certo. O herói da minha infância não é o Conan. É o Miyazaki.
terça-feira, janeiro 11
quinta-feira, novembro 4
AS CONCLUSÕES DIFÍCEIS DAS ELEIÇÕES AMERICANAS:
1) Bush teve uma vitória avassaladora. Televisões e jornais ingleses (os de esquerda) não conseguem fazer um balanço sem deixar cair a expressão «narrow margin». É falso. Foram estas mesmas televisões e jornais que me ensinaram como o sistema eleitoral americano assenta num país dividido em duas partes quase iguais, com uma franja de eleitores voláteis muito pequena. Por isso mesmo, os resultados são sempre aproximados e dependem dos (poucos) Estados onde as duas forças estão mais equilibradas. Ora Bush conseguiu guardar os bastiões republicanos; ganhou em quase toda a linha nos territórios indecisos e até chegou a ameaçar alguns portos seguros dos democratas. As estatísticas ainda dizem mais: nenhum presidente conseguiu reunir tantos votos populares.
2) A opinião da imprensa não faz ganhar eleições. Alguém se lembra de algum título de referência que tenha apoiado George W. Bush? New York Times, Washington Post, Economist... a lista de derrotados é incrível.
3) A guerra foi referendada. E ganhou a opinião dos que a apoiaram. Durante o auge de John Kerry nas sondagens, editoriais de todo o mundo reclamavam que, tal como aconteceu com Aznar, o povo iria manifestar-se sobre o conflito. É inteiramente verdade. E agora é forçoso reconhecer que nos Estados Unidos o resultado foi diferente. Tal como diz o editorial de hoje do Telegraph: «Bush’s re-election demonstrates that the leaders of the war on terror have enough support to preserve in their task». A triste verdade.
4) Os americanos gostam de Bush. Por muito que custe a europeus e intelectuais MichaelMoorianos, a administração Bush é aquilo que os americanos querem. A economia está mal, a guerra parace ser infindável, as notícias de raptos e mortes são diárias, o antiamericanismo cresce no exterior e a imprensa não pára de bater. E mesmo assim, o cowboy ganhou.
1) Bush teve uma vitória avassaladora. Televisões e jornais ingleses (os de esquerda) não conseguem fazer um balanço sem deixar cair a expressão «narrow margin». É falso. Foram estas mesmas televisões e jornais que me ensinaram como o sistema eleitoral americano assenta num país dividido em duas partes quase iguais, com uma franja de eleitores voláteis muito pequena. Por isso mesmo, os resultados são sempre aproximados e dependem dos (poucos) Estados onde as duas forças estão mais equilibradas. Ora Bush conseguiu guardar os bastiões republicanos; ganhou em quase toda a linha nos territórios indecisos e até chegou a ameaçar alguns portos seguros dos democratas. As estatísticas ainda dizem mais: nenhum presidente conseguiu reunir tantos votos populares.
2) A opinião da imprensa não faz ganhar eleições. Alguém se lembra de algum título de referência que tenha apoiado George W. Bush? New York Times, Washington Post, Economist... a lista de derrotados é incrível.
3) A guerra foi referendada. E ganhou a opinião dos que a apoiaram. Durante o auge de John Kerry nas sondagens, editoriais de todo o mundo reclamavam que, tal como aconteceu com Aznar, o povo iria manifestar-se sobre o conflito. É inteiramente verdade. E agora é forçoso reconhecer que nos Estados Unidos o resultado foi diferente. Tal como diz o editorial de hoje do Telegraph: «Bush’s re-election demonstrates that the leaders of the war on terror have enough support to preserve in their task». A triste verdade.
4) Os americanos gostam de Bush. Por muito que custe a europeus e intelectuais MichaelMoorianos, a administração Bush é aquilo que os americanos querem. A economia está mal, a guerra parace ser infindável, as notícias de raptos e mortes são diárias, o antiamericanismo cresce no exterior e a imprensa não pára de bater. E mesmo assim, o cowboy ganhou.
quarta-feira, novembro 3
segunda-feira, novembro 1
IGREJA Terminou hoje em Paris uma mega-operação de charme da Igreja Católica. Durante uma semana foram organizados debates, concertos, teatro e muitas animações por toda a cidade, tudo para tentar recuperar uma visibilidade que lhe tem faltado nos últimos tempos. Para isso, teve de recorrer a alguns "truques" para chamar a atenção das pessoas, em especial dos jovens: concertos de "pop-rock cristão", "girls bands" e uma cruz de 17 metros plantada em frente à Notre Dame. Mas nem a mobilização anunciada de milhares de pessoas consegue esconder a perda de influência do Vaticano no Mundo: George W. Bush invadiu o Iraque, apesar dos pedidos contrários do Papa, Buttiglionne foi afastado da Comissão Europeia por seguir a doutrina do Vaticano e a Constituição Europeia acabou por ficar sem a referência à "herança cristã". Deus lhes valha.
quarta-feira, outubro 27
MARCELO E O DN. Hoje vi todos os noticiários e jornais portugueses. Li comunicados e reacções. Ouvi desabafos e rumores.
Depois fui aquecer água para fazer o café manhoso do supermercado aqui do bairro. Odeio café manhoso. Sentei-me no sofá roçado de casa sem deixar de pensar que o senhorio ainda me há de fazer pagar estes estragos que não fiz. Puxei um cigarro do maço de 7,5 euros e reparei que a porra da chuva não parava.
1585 quilómetros separam-me de Lisboa.
É o que me vale.
Depois fui aquecer água para fazer o café manhoso do supermercado aqui do bairro. Odeio café manhoso. Sentei-me no sofá roçado de casa sem deixar de pensar que o senhorio ainda me há de fazer pagar estes estragos que não fiz. Puxei um cigarro do maço de 7,5 euros e reparei que a porra da chuva não parava.
1585 quilómetros separam-me de Lisboa.
É o que me vale.
sábado, outubro 23
sexta-feira, outubro 22
TRANSPARÊNCIA. Todos os jornais ingleses de qualidade apresentaram hoje análises exaustivas sobre os gastos dos políticos ingleses. A base do trabalho é um relatório oficial divulgado ontem, no qual estão descritos os salários e as despesas particulares de todos os parlamentares e membros do governo. Entre outras coisas, fiquei a saber que os contribuintes deste país têm de pagar mais pelos custos de vida dos seus representantes (média de 15 mil euros mensais) do que pelos seus ordenados (valor fixo ronda os 7000 euros). Alguns jornais também desconstruíram as tabelas construíndo rankings onde se podia perceber quem viaja mais, quem reclama mais dinheiro para o staff pessoal, quem paga mais por material de escritório, etc, etc.
Há quatro anos, durante uma curta viagem ao Brasil, comprei uma edição especial do Estado de São Paulo com um suplemento chamado «Olho no Senado». Na prática, era exactamente a mesma coisa, mas com a diferença de a informação não ter origem em qualquer relatório, mas no próprio trabalho de investigação do Estadão, realizado ao longo de um ano inteiro, através da consulta de todos os ofícios e registos parlamentares.
E nós?
É simples: nem relatórios oficiais, nem investigação jornalística.
Há quatro anos, durante uma curta viagem ao Brasil, comprei uma edição especial do Estado de São Paulo com um suplemento chamado «Olho no Senado». Na prática, era exactamente a mesma coisa, mas com a diferença de a informação não ter origem em qualquer relatório, mas no próprio trabalho de investigação do Estadão, realizado ao longo de um ano inteiro, através da consulta de todos os ofícios e registos parlamentares.
E nós?
É simples: nem relatórios oficiais, nem investigação jornalística.
quinta-feira, outubro 21
ISENÇÃO. Sou um adepto fervoroso do jornal Jogo. Sobre o jogo de ontem contra o PSG, por exemplo, na hora de eleger o melhor portista em campo, escrevem os jornalistas do isento diário que a estrela é Seiteradis. Porquê?
«O Valente Grego. Foi sem dúvida o melhor elemento portista. Esteve seguro a defender e a prova disso está na saída precoce de Rothen - lesionado - em teoria um dos mais perigosos dos parisienses.»
Mai nada!
«O Valente Grego. Foi sem dúvida o melhor elemento portista. Esteve seguro a defender e a prova disso está na saída precoce de Rothen - lesionado - em teoria um dos mais perigosos dos parisienses.»
Mai nada!
ADEUS RONALDO. Um dia, num pequeno jornal de um país remoto da América Latina, alguém se lembrou de fazer uma espécie de face-lift às fotografias dos cronistas. Era preciso actualizá-las, diziam, para adequá-las melhor ao desenho gráfico. Sucedeu que o principal cronista desse jornal – o único realmente bom, diziam algumas vozes maldizentes –, não gostou da nova imagem. E pediu (suspeito que «exigiu» é melhor termo) que voltassem a pôr a antiga. Ainda estribucharam os mais empenhados reformistas do traço, mas o responsável maior do dito órgão provou a sua sabedoria com um murro na mesa: «Esse senhor é o nosso Ronaldo. Se o Ronaldo dissesse ao Real Madrid que queria chuteiras amarelas, jogava com chuteiras amarelas. Ponto final». Parágrafo.
O MITO GARANTÍSTICO. As leis laborais são uma das coisas que mais admiro no pragmatismo anglo-saxónico. A começar pelas regras de despedimento. Nos dois primeiros anos de trabalho, qualquer empresa inglesa pode despedir um trabalhador dando-lhe apenas uma semana de aviso prévio. A partir daí, por cada ano de trabalho, é obrigada a dar-lhe mais uma semana correspondente, até a um máximo de 12. Facto interessante: Como a rotatividade de empregos aqui é tão grande, pouca gente se apercebe desta última cláusula. «Uma semana» é a única referência que interessa reter. A partir daí, num mercado descomplexado com trabalhadores descomplexados (ou seja, onde desemprego é igual a preguiça), é só uma questão de procurar e começar novo emprego. Quando falo disto com compatriotas, há sempre quem queira defender a terra dizendo que isto só é possível num país em que a palavra «crise» não se lê nos jornais há mais de oito anos. É a má desculpa de velho perdedor, como diria o poeta disléxico. Mas seja. Dou um exemplo melhor: os salários. Todos os anúncios de emprego publicados na imprensa referem sempre o ordenado anual bruto. É assim que são feitas as contas: ao ano. A consequência óbvia é que não há cá subsídios de férias, 13º ou 14º mês. A empresa limita-se a dizer o que está disposta a tirar do seu orçamento anual para pagar ao funcionário. Se ele quiser pode dividir o valor por 12, 13 14 ou até 24 prestações e dizer que o patrão é tão bom que lhe paga a dobrar todos os meses. Mas não o faz porque seria folclore. Como é folclore que as empresas do nosso e de outros países continentais sejam obrigadas a dar um pack chorudo de garantias para depois, inevitavelmente, baixarem o valor de cada mensalidade.
Não é uma questão de ideologia, é uma questão de pragmatismo.
Não é uma questão de ideologia, é uma questão de pragmatismo.
quarta-feira, outubro 20
AGENDA. Ainda não tive tempo de comprar a Time Out mas já sei que: começa hoje o London Film Festival; começa sábado a Affordable Art Fair, em Battersea Park; e que estrearam pelo menos três coisas que quero ver – a maior exposição que por aqui passou da obra de Rafael, na National Gallery; outra, sobre ilusões ópticas, que deixou os críticos em estado de delírio, na Hayward Gallery; e finalmente a nova instalação sonora da Tate Modern. Como não gosto de fazer de crítico de arte, ficam só com o teaser para me poderem invejar. E não, o tempo até nem está assim tão mau!
terça-feira, outubro 19
JORNAIS DE TODO O MUNDO, APARVALHAI-VOS. Há dias em que os jornais desta terra têm tantas coisa para ler como qualquer número dourado da Vanity Fair. Hoje foi o Guardian. Mesmo para quem está farto de guerra, como eu, compensou esforçar o sobrolho e ler mais uma excelente crónica do pró-David Aaronovitch (o homem já foi premiado por defender tão bem a guerra num jornal de esquerda); e o comentário inteligente do contra-Arthur Schlessinger (ex-conselheiro do presidente Kennedy e autor do livro Vital Center, onde Fukuyama foi buscar quase tudo menos a referência bibliográfica). Para terminar, mais uma sugestão de leitura, mas esta com dois dias de atraso: o editorial em que o New Yor Times assume a sua posição nas eleições presidenciais. «...we enthusiastically endorse John Kerry for president», Dia 17 de Outubro. Mesmo sem contraditório, é muito bonito.
OLÁ. Não faço ideia se devo anunciar o regresso à linha do Estrangeirados, em ritmo normal, porque tenho dúvidas quanto à nossa disponibilidade e o vosso interesse. De qualquer modo, até porque já é Inverno, tentar não custa. Além de que me seria completamente impossível deixar que o Estrangeirados morrese com um último post preenchido por uma citação do super-reitor da Católica. Isto é um blogue sério e decoroso. Não deixaríamos nunca que o fanatismo e a ignorância prevalecessem no nosso espaço. A todos, um abraço de boas vindas.
segunda-feira, outubro 4
"SOU UM DEFENSOR DA INTERVENÇAO DOS PODERES PÚBLICOS PARA MAIOR REGULAÇAO DOS LOCAIS DE DIVERSAO" Nos meus tempos de UCP, comentava-se que Herman José se tinha inspirado no reitor para criar o Diácono Remédios.
SÓCRATES disse que o PS "está presente e está de volta" e quer liderar a oposição. Confesso que não sou muito bom a decifrar metáforas, mas vieram-me à ideia umas imagens dos Jogos Paralímpicos de Atenas, quando Oscar Pistorius, um corredor sul-africano com próteses nas pernas, arrancou depois dos seus concorrentes na corrida dos 200 metros e conseguiu ganhar na recta final. Venha daí.
sexta-feira, outubro 1
TURQUIA Hoje tivémos a confirmação: Nicolas Sarkozy vai ser presidente da República em França, mas não já em 2007. Como é que chegámos a esta conclusão? Ora, foi o voluntarioso ministro das Finanças, futuro presidente do partido da maioria parlamentar (UMP) e potencial candidato à presidência da República a avançar no passado fim-de-semana com a ideia luminosa de realizar um referendo em França sobre a entrada da Turquia na União Europeia. E eis que Jacques Chirac declara oficialmente hoje, em Estrasburgo, que "os franceses terão uma palavra a dizer" sobre este assunto, acrescentando que a questão só se colocará dentro de "dez a quinze anos". Sendo os mandatos presidenciais de cinco anos, será que podemos esperar mais um quinquénio de Chirac no Eliseu e uma passagem de testemuno em 2012? Ou o presidente já está a antever uma vitória dos socialistas nos próximos tempos?
KERRY vs. BUSH Bastou um pouco de dramatismo dado pelas sondagens dos últimos dias, que atribuíam uma vantagem a George Bush na corrida para a presidência dos EUA, para o primeiro debate televisivo organizado ter ganho contornos espectaculares e decisivos para o futuro de John Kerry. Os olhos do mundo inteiro concentraram-se na Universidade de Miami. Felizmente, como num bom western, o cowboy conseguiu levantar-se e dar um soco no proprietário que quer à força possuir as terras todas da planície. Este nada mais pôde fazer senão montar no cavalo e voltar ao seu rancho. Aguardam-se novos confrontos. E nós aqui a ver.
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