quinta-feira, julho 22

GILBERTO MADAÍL DESPROMOVIDO. Autor do feito: José Romão. O seleccionador da equipa olímpica conseguiu hoje ultrapassar o ilustre presidente da Federação de Futebol na intensa disputa pelo título de representante desportivo mais fajuto no panorama nacional. Apesar de um empate no capítulo Apresentação (ambos escolhem fato Maconde e pêra facial), Romão é quase imbatível no capítulo Discurso. Hoje, na primeira de muitas intervenções públicas com que certamente seremos brindados nas próximas semanas, o seleccionador das esperanças (!) já deu um ar da sua graça. A escolha dos jogadores, disse, «é o reconhecimento da sua categoria enquanto jogadores profissionais e também o reconhecimento de que são atletas de alto nível do futebol português e de valor indesmentível». Mas porquê estes, insistiu o jornalista que entrevistou o respeitável míster. «Têm dentro deles sentido de grande polivalência», iluminou o entrevistado. Para terminar, deixo-vos a frase que traduz as ambições do nosso líder: «O que é sensato é que nós definirmos como primeiro passo qualificarmos, passar o nosso grupo. E depois, numa situação de grande ambição que levamos tentar chegar longe. E tentar chegar longe é que a nossa selecção se apresente sempre com índices de motivação altíssimos, com a consciência que tem uma qualidade proporcional aos outros».

domingo, julho 11

VACANCES Três semanas sem computador, jornais, rádio, TV e internet. Há pessoas que gostam de tirar férias da civilização, mas eu não sou uma delas. Vou estar a roer-me para saber quem estará no governo Santana Lopes, quais as movimentações no PS, as últimas contratações do FCP. Mas alguém que vai pela primeira vez a NY tem direito a queixar-se? Vou tentar mandar um postal de vez em quando. E farei um relatório mais extenso na chegada. À bientôt.

sábado, julho 10

SAMPAIO Às 22h15, Paris parou para ouvir o Presidente. Nem um carro, nem um metrop, nem uma bicicleta. Para quê?
CRISE Por este caminho, Sampaio vai morrer pobre e sozinho.

quinta-feira, julho 8

JUSTIÇA Advogados e magistrados franceses manifestam-se hoje em frente às prisões contra a sobrelotação das prisões, onde existem mais 10.000 detidos do que os lugares previstos. Os penitenciários preparam um abaixo-assinado pela melhoria de condições de trabalho nos tribunais.

quarta-feira, julho 7

MICHAEL MOORE Estreia hoje nas salas de cinema francesas Fahrenheit 9/11, o filme que recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e é recebido hoje com honras de primeira página no Libération. Colocando de parte a assumida propaganda anti-Bush, para a qual o público já está previamente avisado, o seu mérito é de poder reforçar a tendência que se tem verificado nos últimos anos de documentários com um sucesso comercial significativo em França, como Les Glaneurs et la Glaneuse, de Agnès Varda, Être et avoir, de Nicolas Philibert, "Super Size Me", de Morgan Spurlock, 10e chambre, instants d'audience, de Raymond Depardon. Uma alternativa ao puro - e tantas vezes enfadonho - entertainement dos filmes de ficção.

terça-feira, julho 6

ADEUS, UM ABRAÇO. Era o número dez, jogava com os dois pés, era o nosso Pelé, era o Deco alez, alez...
SOPHIA. Há uns anos, a pretexto de qualquer aniversário ou de um prémio mais, um dos nossos jornais dedicou muitas páginas a Sophia de Mello Breyner. O habitual: análises densas, elogios bonitos, elogios básicos e lugares comuns. Um dos textos, para mim, fez a diferença. Estava assinado por uma leitora do jornal que tinha a minha idade. Na altura, suponho, 18 ou 19 anos. Não decorei o nome. Escreveu ao jornal para dizer que devia o rumo da sua vida a Sophia. Mais precisamente, aos livros infantis de Sophia. Mais precisamente, à Menina do Mar. Fiquei feliz pela coincidência e pensei que podíamos ser muitos mais. Confirmei-o ao longo destes últimos anos. Somos muitos. Depois da Menina do Mar, todos nós passámos a olhar os livros como caixas de novas expectativas. Passámos a procurar traços da nossa própria vida nas páginas, para encontrar soluções ou simplesmente a solidariedade das personagens. Passámos a gostar de passsar o tempo com as palavras. Passámos, em suma, a querer ler e a viver perto dos livros. A Sophia de Mello Breyner devemos isso tudo.

segunda-feira, julho 5

HÉLAS Acima de tudo, estou satisfeito por não ter terminado com cenas tristes, com empurrões ao árbitro, como no Europeu de 2000 e Mundial de 2002. Perdemos, mas com muita dignidade, a jogar bom futebol, com jogadores de idades e talentos diferentes, mas capazes de trabalhar em equipa. E o ambiente, que daqui apenas tive descrições e imagens, terá sido um dos melhores de sempre. Em França, existia desde o início uma simpatia pela selecção portuguesa e li e ouvi várias vezes desejos de que o EURO'2004 acabasse numa final Portugal-França. Depois, quando a França voltou para casa, acho que os jornalistas se deixaram levar pelo entusiasmo que se vivia em Portugal e com a numerosa comunidade lusa daqui. Na emissão de ontem na TV, antes do início do jogo, fizeram directos das ruas de Lisboa e de um café tuga em Paris onde as transmissões dos jogos juntaram dezenas de pessoas. Por azar, não se lembraram de procurar restaurantes gregos.

domingo, julho 4

POLÍTICA & FUTEBOL Luis Felipe Scolari não aceita o convite de Jorge Sampaio para formar governo e a hipótese Pedro Santana Lopes volta a ser considerada. Neste caso, a presidência da Câmara Municipal de Lisboa fica livre. Mas nunca pensei que o Deco se metesse nestas coisas.

sexta-feira, julho 2

NACIONAL-PORREIRISMO. Posso garantir que o erro do realizador da RTP que nos fez perder o golo extraordinário do Maniche é motivo para piadas em muitos países. Perguntava-me ontem um colega inglês se eu sabia o que tinha acontecido ao senhor: «Coitado... aposto que nunca mais volta a pôr os pés na televisão». Ri-me. Só por pensar quão bizarra é, de facto, essa nossa «especificidade» de tudo perdoar. Pior: de fazer de conta que os erros não existem. É inconcebível que não haja uma linha escrita sobre um detalhe curioso que as pessoas ainda hoje comentam. Eu pelo menos fartei-me de procurar e não encontrei nada. E o pior é que não estranho. Já conheço a lógica: «Caaaalma camarada... lembra-te que amanhã podes ser tu a fazer uma asneirada assim». Em suma, como no fundo somos todos medíocres, o melhor é não criticar. Isto não vos irrita?
FOTOS. Para reeditar o boom de visitas, prometemos imagens exclusivas da festa das comunidades portuguesas assim que Durão Barroso chegar a Bruxelas.
EUROCÉPTICOS, NÓS? A situação é inédita. Ontem, no Parlamento, e em termos legislativos, PSD e CDS/PP conheceram a sua primeira brecha. Que é como quem diz: não votaram no mesmo sentido. A divergência levou a que um projecto do PCP fosse aprovado graças à atitude dos populares, que decidiram abster-se, deixando isolada a bancada social-democrata no voto contra. Esta foi a primeira derrota do PSD em votações em plenário desde o início da legislatura. (...) O diploma em causa, cuja viabilização deixou espantados os comunistas, prende-se com os poderes de acompanhamento da Assembleia da República em relação ao processo de construção da União Europeia. (in DN de hoje)

quinta-feira, julho 1

NO CALOR DA FESTA Um leitor pediu uma certa imagem das comemorações aqui em Paris pela passagem da selecção portuguesa à final do EURO2004 e nós não desiludimos.


Aqui está, passou no jornal da tarde da France 2 e garanto que o apresentador foi bastante discreto nos comentários. Quem quiser ver o filme, entre aqui, clique no Journal de 13h (provavelmente o link é efémero) e avance até aos 40 minutos.

SOMOS OS MAIORES A seguir, tanto faz. Podem ser os gregos, para tirar a desforra, ou os checos, porque são os melhores. Lá garganta temos. E que tal aplicar toda esta energia e criatividade no país? É que, que eu saiba, ganhar no futebol não nos coloca no G8. E o EURO2004 arrisca-se a ficar conhecido pelo "campeonato dos pequeninos".
GRITO DE GUERRA NOS CHAMPS ELYSEES Viva Portugal, car****!


Eram aos milhares. Já o tinham sido quando o FCP Porto venceu a Liga dos Campeões e na semana passada, quando Portugal passou às meias-finais. Imagino que em Portugal os comentários se dividam:


"Olha, lá estão outra vez os emigras! Até dançaram folclore". Ou então


"Pôrra, viste os portugueses que ocuparam os Campos Elíseos?!". Mas para quem tem vindo a conviver com esta comunidade nos últimos três anos, vai percebendo que estes momentos


servem para soltar um grito, mostrar que existem. Durante anos viveram em bairros de lata e foram pedreiros, mulheres de limpeza e porteiras. Por isso, foram aprendendo a ser invisíveis.


Os franceses chamam-lhe integração. Mas em cada um destes jovens bate um coração português e muitas vezes mais forte do que naqueles que sempre viveram no país. E nestas alturas mostram o apego às raízes, o orgulho nos seus pais e o desejo de serem ainda mais portugueses.


Por sua vontade, iam a voar até Portugal.


Não, são os quatro mosqueteiros ao serviço do monsenhor Scolari.


Vivam os tugas!

PS: Reportagem fotográfica de André "de Gouveia", excepto fotos 2,6 e 7

segunda-feira, junho 28

SANTANA LOPES Lembrei-me de um texto escrito por Miguel Sousa Tavares há uns meses intitulado "Só nos faltava esta!"
Sugestão de leitura: onde se lê Presidente da República, ler primeiro-ministro.
PORTUGAL POSITIVO O FC Porto ganhou a liga dos campeões, Portugal está nas meias-finais do Campeonato Europeu, Durão Barroso quase na presidência da Comissão Europeia: este ano ganhamos tudo!
DESCULPAS Uma pessoa não pode passar uns dias fora. Assim não dá para fazer um blogue sério. Mas as nossas obrigações para a actualidade são cumpridas noutros locais, por isso tenham paciência.

quarta-feira, junho 23

VOLTA, GABRIEL ALVES A selecção francesa passou aos quartos-de-final do Euro2004, mas sem convencer. Os jornais estão cépticos, na televisão prolongam-se os debates sobre os jogos, a tática e os jogadores. Embora sejam campeões em título e uma das selecções favoritas, os franceses não estão a jogar bem. Até aqui tudo normal, sabemos que o futebol origina discussões intermináveis e não faltam treinadores de bancada, desde antigos jogadores, treinadores, deputados... Mas o que irrita mesmo é quando, ao mesmo tempo que vemos um jogo na TV entre, por exemplo, Itália e Bulgária, uma jogada mal concretizada pode espoletar uma reflexão sobre o desempenho dos Bleus, esquecendo completamente o que se passa no campo.