domingo, julho 4

POLÍTICA & FUTEBOL Luis Felipe Scolari não aceita o convite de Jorge Sampaio para formar governo e a hipótese Pedro Santana Lopes volta a ser considerada. Neste caso, a presidência da Câmara Municipal de Lisboa fica livre. Mas nunca pensei que o Deco se metesse nestas coisas.

sexta-feira, julho 2

NACIONAL-PORREIRISMO. Posso garantir que o erro do realizador da RTP que nos fez perder o golo extraordinário do Maniche é motivo para piadas em muitos países. Perguntava-me ontem um colega inglês se eu sabia o que tinha acontecido ao senhor: «Coitado... aposto que nunca mais volta a pôr os pés na televisão». Ri-me. Só por pensar quão bizarra é, de facto, essa nossa «especificidade» de tudo perdoar. Pior: de fazer de conta que os erros não existem. É inconcebível que não haja uma linha escrita sobre um detalhe curioso que as pessoas ainda hoje comentam. Eu pelo menos fartei-me de procurar e não encontrei nada. E o pior é que não estranho. Já conheço a lógica: «Caaaalma camarada... lembra-te que amanhã podes ser tu a fazer uma asneirada assim». Em suma, como no fundo somos todos medíocres, o melhor é não criticar. Isto não vos irrita?
FOTOS. Para reeditar o boom de visitas, prometemos imagens exclusivas da festa das comunidades portuguesas assim que Durão Barroso chegar a Bruxelas.
EUROCÉPTICOS, NÓS? A situação é inédita. Ontem, no Parlamento, e em termos legislativos, PSD e CDS/PP conheceram a sua primeira brecha. Que é como quem diz: não votaram no mesmo sentido. A divergência levou a que um projecto do PCP fosse aprovado graças à atitude dos populares, que decidiram abster-se, deixando isolada a bancada social-democrata no voto contra. Esta foi a primeira derrota do PSD em votações em plenário desde o início da legislatura. (...) O diploma em causa, cuja viabilização deixou espantados os comunistas, prende-se com os poderes de acompanhamento da Assembleia da República em relação ao processo de construção da União Europeia. (in DN de hoje)

quinta-feira, julho 1

NO CALOR DA FESTA Um leitor pediu uma certa imagem das comemorações aqui em Paris pela passagem da selecção portuguesa à final do EURO2004 e nós não desiludimos.


Aqui está, passou no jornal da tarde da France 2 e garanto que o apresentador foi bastante discreto nos comentários. Quem quiser ver o filme, entre aqui, clique no Journal de 13h (provavelmente o link é efémero) e avance até aos 40 minutos.

SOMOS OS MAIORES A seguir, tanto faz. Podem ser os gregos, para tirar a desforra, ou os checos, porque são os melhores. Lá garganta temos. E que tal aplicar toda esta energia e criatividade no país? É que, que eu saiba, ganhar no futebol não nos coloca no G8. E o EURO2004 arrisca-se a ficar conhecido pelo "campeonato dos pequeninos".
GRITO DE GUERRA NOS CHAMPS ELYSEES Viva Portugal, car****!


Eram aos milhares. Já o tinham sido quando o FCP Porto venceu a Liga dos Campeões e na semana passada, quando Portugal passou às meias-finais. Imagino que em Portugal os comentários se dividam:


"Olha, lá estão outra vez os emigras! Até dançaram folclore". Ou então


"Pôrra, viste os portugueses que ocuparam os Campos Elíseos?!". Mas para quem tem vindo a conviver com esta comunidade nos últimos três anos, vai percebendo que estes momentos


servem para soltar um grito, mostrar que existem. Durante anos viveram em bairros de lata e foram pedreiros, mulheres de limpeza e porteiras. Por isso, foram aprendendo a ser invisíveis.


Os franceses chamam-lhe integração. Mas em cada um destes jovens bate um coração português e muitas vezes mais forte do que naqueles que sempre viveram no país. E nestas alturas mostram o apego às raízes, o orgulho nos seus pais e o desejo de serem ainda mais portugueses.


Por sua vontade, iam a voar até Portugal.


Não, são os quatro mosqueteiros ao serviço do monsenhor Scolari.


Vivam os tugas!

PS: Reportagem fotográfica de André "de Gouveia", excepto fotos 2,6 e 7

segunda-feira, junho 28

SANTANA LOPES Lembrei-me de um texto escrito por Miguel Sousa Tavares há uns meses intitulado "Só nos faltava esta!"
Sugestão de leitura: onde se lê Presidente da República, ler primeiro-ministro.
PORTUGAL POSITIVO O FC Porto ganhou a liga dos campeões, Portugal está nas meias-finais do Campeonato Europeu, Durão Barroso quase na presidência da Comissão Europeia: este ano ganhamos tudo!
DESCULPAS Uma pessoa não pode passar uns dias fora. Assim não dá para fazer um blogue sério. Mas as nossas obrigações para a actualidade são cumpridas noutros locais, por isso tenham paciência.

quarta-feira, junho 23

VOLTA, GABRIEL ALVES A selecção francesa passou aos quartos-de-final do Euro2004, mas sem convencer. Os jornais estão cépticos, na televisão prolongam-se os debates sobre os jogos, a tática e os jogadores. Embora sejam campeões em título e uma das selecções favoritas, os franceses não estão a jogar bem. Até aqui tudo normal, sabemos que o futebol origina discussões intermináveis e não faltam treinadores de bancada, desde antigos jogadores, treinadores, deputados... Mas o que irrita mesmo é quando, ao mesmo tempo que vemos um jogo na TV entre, por exemplo, Itália e Bulgária, uma jogada mal concretizada pode espoletar uma reflexão sobre o desempenho dos Bleus, esquecendo completamente o que se passa no campo.

terça-feira, junho 22

MEMÓRIA FUTURA. Só para que fique registado: até esta noite, Portugal era o país da moda em Inglaterra. Os trogloditas alojados em Albufeira, que merecem mais tempo de antena que o primeiro-ministro, não se cansavam de elogiar os «friendly portuguese friends». O país era fantástico, verde e luminoso, cheio de gente boa e acolhedora. O futebol das nossas estrelas, especialmente depois do jogo contra a Espanha, tinha ainda mais iluminação: um jogo de «globetrotters de bola no chão», dizia hoje o Independent. Era, digo eu, porque a partir de hoje ou muito me engano ou passaremos a ser batoteiros e sortudos, velhos e inexperientes, incompetentes e trauliteiros. O prognóstico vale dinheiro para quem estiver disposto a apostar o contrário.

domingo, junho 20

É SÓ FAZER AS CONTAS Num resumo dos jogos de Portugal e Grécia, o jornalista francês explica que uma destas selecções vai encontrar a França. Precisão: les Bleus ainda não estão nos quartos-de-final.
FÁTIMA 1 - SANTIAGO DE COMPOSTELA 0

sexta-feira, junho 18

TÂNIAS E NÁDIAS. Tânia Nascimento, a primeira representante lusa no Big Brother inglês, era um produto fogoso dos subúrbios londrinos. Apesar de não ter ido muito longe no famoso concurso do abjecto, teve o mérito de conseguir vender o ar brejeirito com que a baptizaram e aparecer em quase todos as revistas semi-pronográficas desta terra. Cheguei a comprar uma «Loaded», bem embaladinha, só para ver o «Fogo português» (em lingerie preta) que a capa anunciava. Desiludiu. Não pelo texto, obviamente, que não li, mas por tudo o resto que se fazia passar por estereótipo nacional. Mentira! Nem um pelo de buço fazia juz às nossas moças; o peito não era farto e naquelas pernas havia muito pouco do nosso fiambre. Em suma, uma fraude.
Mas adiante. Foi-se a Tânia, veio a Nádia. A bela Nádia, também ela portuguesa e muito orgulhosa disso (como não podia deixar de ser), nasceu na Madeira e lá viveu até aos 19 anos, que foi quando se mudou para a Inglaterra. Depois de passar por alguns biscates suspeitos – o típico «Trabalhei numa boutique...» –, conseguiu ser escolhida para a nova edição inglesa do Big Brother. «Um sonho tornado realidade», bolsou a rapariga.
No início do programa, a Nádia era só mais uma labrega no meio dos outros labregos todos. Isto, claro, até se saber que a Nádia, afinal, era o Fernando. Pois é... Daquilo que mostrou ao grande público, portanto, a única coisa verdadeira parecia ser o apelido, Almada (que mesmo assim, convenhamos, é tão adequado que eu apostava ser uma alcunha). Até aqui tudo suportável. A malta é liberal, finge que não se chateia por o único transsexual que passou pela tv inglesa ser um português e agradece a Deus por haver um campeonato de futebol a rotular o país.
O chato é que a Nádia, ou Nando, ou o raio que o parta, resolveu mostrar um bocadinho do nosso temperamento e vai disto meteu-se à trolha dentro da «casa». Estalo para cá, insulto para lá e, imaginem, a Nádia Almada, transsexual da Madeira, ficou com fama de desordeira e ordinária. Ora isto, tratando-se de uma minoria sexual, é, como todos sabemos, ilegal. Num país que se quer civilizado, um homem com tetas é uma vítima da sociedade e tem o direito a exprimir-se como quiser. Por isso dizemos: Força Nádia! A comunidade está contigo.

quarta-feira, junho 16

JAMES JOYCE. Comemora-se hoje, por todo o Reino Unido, o centenário do Bloomsday, o dia em que Joyce lançou Leopold Bloom numa viagem épica por Dublin. Fiquei hoje a saber que o grande Ulisses da literatura também deixou outras heranças para a posteridade. Reparem nas sobrinhas-netas.
PIXIES Confesso que não vou a um concerto em Portugal há dois anos, só me lembro de uma experiência musical num estádio de futebol (nas Antas) e admito que as coisas tenham mudado muito. Mas ontem o Parc des Princes, onde a cabeça de cartaz era Red Hot Chilly Peppers, tive uma imagem do mundo civilizado: casas de banho e enfermaria no centro do relvado, uma plataforma para espectadores deficientes em cadeiras de rodas e respectivos acompanhantes, bares com comida e bebida disponível durante todo o concerto e pais que levam os filhos para verem os seus ídolos - o que é feito do generation gap? De resto, os Pixies foram aquilo que esperava: tocaram as músicas antigas sem falhas nem desvarios, Black Francis não se estendeu em palavras doces para o público e Kim Deal esteve sempre de sorriso nos lábios. E não apresentaram o novo tema, Bam Thwok, lançado em exclusivo pelo portal de música da Apple, mas que já ouvi e gostei. Será que podemos esperar um novo álbum de originais?

terça-feira, junho 15

22 JUNHO. Aguardo com expectativa.
PREÇOS. Provavelmente já viram ou ouviram uma referência a um estudo comparativo sobre o custo de vida em várias cidades do mundo. Londres, a minha amada/odiada Londres, obscenamente cara, está em segundo lugar. Logo a seguir a Tóquio (que enquanto pisar não acredito que existe), a capital brit ganhou um lugar de destaque graças aos cafés e CD's mais caros do mundo (entre muitos, muitos outros indicadores). Vale a pena ver o estudo, sobretudo se for um saloio daqueles que acha que a «minha cidade é que é... Cara para chuchu!» O boda! O prémio, infelizmente, fica comigo.

segunda-feira, junho 14

Duelo a dez passos?