terça-feira, junho 22
MEMÓRIA FUTURA. Só para que fique registado: até esta noite, Portugal era o país da moda em Inglaterra. Os trogloditas alojados em Albufeira, que merecem mais tempo de antena que o primeiro-ministro, não se cansavam de elogiar os «friendly portuguese friends». O país era fantástico, verde e luminoso, cheio de gente boa e acolhedora. O futebol das nossas estrelas, especialmente depois do jogo contra a Espanha, tinha ainda mais iluminação: um jogo de «globetrotters de bola no chão», dizia hoje o Independent.
Era, digo eu, porque a partir de hoje ou muito me engano ou passaremos a ser batoteiros e sortudos, velhos e inexperientes, incompetentes e trauliteiros. O prognóstico vale dinheiro para quem estiver disposto a apostar o contrário.
domingo, junho 20
sexta-feira, junho 18
TÂNIAS E NÁDIAS. Tânia Nascimento, a primeira representante lusa no Big Brother inglês, era um produto fogoso dos subúrbios londrinos. Apesar de não ter ido muito longe no famoso concurso do abjecto, teve o mérito de conseguir vender o ar brejeirito com que a baptizaram e aparecer em quase todos as revistas semi-pronográficas desta terra. Cheguei a comprar uma «Loaded», bem embaladinha, só para ver o «Fogo português» (em lingerie preta) que a capa anunciava. Desiludiu. Não pelo texto, obviamente, que não li, mas por tudo o resto que se fazia passar por estereótipo nacional. Mentira! Nem um pelo de buço fazia juz às nossas moças; o peito não era farto e naquelas pernas havia muito pouco do nosso fiambre. Em suma, uma fraude.
Mas adiante. Foi-se a Tânia, veio a Nádia. A bela Nádia, também ela portuguesa e muito orgulhosa disso (como não podia deixar de ser), nasceu na Madeira e lá viveu até aos 19 anos, que foi quando se mudou para a Inglaterra. Depois de passar por alguns biscates suspeitos – o típico «Trabalhei numa boutique...» –, conseguiu ser escolhida para a nova edição inglesa do Big Brother. «Um sonho tornado realidade», bolsou a rapariga.
No início do programa, a Nádia era só mais uma labrega no meio dos outros labregos todos. Isto, claro, até se saber que a Nádia, afinal, era o Fernando. Pois é... Daquilo que mostrou ao grande público, portanto, a única coisa verdadeira parecia ser o apelido, Almada (que mesmo assim, convenhamos, é tão adequado que eu apostava ser uma alcunha). Até aqui tudo suportável. A malta é liberal, finge que não se chateia por o único transsexual que passou pela tv inglesa ser um português e agradece a Deus por haver um campeonato de futebol a rotular o país.
O chato é que a Nádia, ou Nando, ou o raio que o parta, resolveu mostrar um bocadinho do nosso temperamento e vai disto meteu-se à trolha dentro da «casa». Estalo para cá, insulto para lá e, imaginem, a Nádia Almada, transsexual da Madeira, ficou com fama de desordeira e ordinária. Ora isto, tratando-se de uma minoria sexual, é, como todos sabemos, ilegal. Num país que se quer civilizado, um homem com tetas é uma vítima da sociedade e tem o direito a exprimir-se como quiser. Por isso dizemos: Força Nádia! A comunidade está contigo.
Mas adiante. Foi-se a Tânia, veio a Nádia. A bela Nádia, também ela portuguesa e muito orgulhosa disso (como não podia deixar de ser), nasceu na Madeira e lá viveu até aos 19 anos, que foi quando se mudou para a Inglaterra. Depois de passar por alguns biscates suspeitos – o típico «Trabalhei numa boutique...» –, conseguiu ser escolhida para a nova edição inglesa do Big Brother. «Um sonho tornado realidade», bolsou a rapariga.
No início do programa, a Nádia era só mais uma labrega no meio dos outros labregos todos. Isto, claro, até se saber que a Nádia, afinal, era o Fernando. Pois é... Daquilo que mostrou ao grande público, portanto, a única coisa verdadeira parecia ser o apelido, Almada (que mesmo assim, convenhamos, é tão adequado que eu apostava ser uma alcunha). Até aqui tudo suportável. A malta é liberal, finge que não se chateia por o único transsexual que passou pela tv inglesa ser um português e agradece a Deus por haver um campeonato de futebol a rotular o país.
O chato é que a Nádia, ou Nando, ou o raio que o parta, resolveu mostrar um bocadinho do nosso temperamento e vai disto meteu-se à trolha dentro da «casa». Estalo para cá, insulto para lá e, imaginem, a Nádia Almada, transsexual da Madeira, ficou com fama de desordeira e ordinária. Ora isto, tratando-se de uma minoria sexual, é, como todos sabemos, ilegal. Num país que se quer civilizado, um homem com tetas é uma vítima da sociedade e tem o direito a exprimir-se como quiser. Por isso dizemos: Força Nádia! A comunidade está contigo.
quarta-feira, junho 16
PIXIES Confesso que não vou a um concerto em Portugal há dois anos, só me lembro de uma experiência musical num estádio de futebol (nas Antas) e admito que as coisas tenham mudado muito. Mas ontem o Parc des Princes, onde a cabeça de cartaz era Red Hot Chilly Peppers, tive uma imagem do mundo civilizado: casas de banho e enfermaria no centro do relvado, uma plataforma para espectadores deficientes em cadeiras de rodas e respectivos acompanhantes, bares com comida e bebida disponível durante todo o concerto e pais que levam os filhos para verem os seus ídolos - o que é feito do generation gap? De resto, os Pixies foram aquilo que esperava: tocaram as músicas antigas sem falhas nem desvarios, Black Francis não se estendeu em palavras doces para o público e Kim Deal esteve sempre de sorriso nos lábios. E não apresentaram o novo tema, Bam Thwok, lançado em exclusivo pelo portal de música da Apple, mas que já ouvi e gostei. Será que podemos esperar um novo álbum de originais?
terça-feira, junho 15
PREÇOS. Provavelmente já viram ou ouviram uma referência a um estudo comparativo sobre o custo de vida em várias cidades do mundo. Londres, a minha amada/odiada Londres, obscenamente cara, está em segundo lugar. Logo a seguir a Tóquio (que enquanto pisar não acredito que existe), a capital brit ganhou um lugar de destaque graças aos cafés e CD's mais caros do mundo (entre muitos, muitos outros indicadores). Vale a pena ver o estudo, sobretudo se for um saloio daqueles que acha que a «minha cidade é que é... Cara para chuchu!» O boda! O prémio, infelizmente, fica comigo.
segunda-feira, junho 14
domingo, junho 13
EUROPEIAS Por todo o lado, a abstenção bateu recordes. Mais do que o voto na esquerda, é a falta de interesse e participação que os vários países europeus mostraram ter em comum. Pesaram vários factores: falta de informação sobre a UE, ausência de debate sobre as questões europeias, ressaca dos Santos Populares, tempo bom para ir à praia, unhas encravadas, etc. Mas, mais do que criticarmos esta atitude pouco responsável (mea culpa), será que não é altura de os políticos avançarem para uma flexibilidade nos escrutínios? Porque é que, estando fora da minha zona de residência, não posso votar? Para que é que existem as novas tecnologias? Queremos JÁ o votos pelos computadores, pelos telemóveis e até pelas torradeiras!
sábado, junho 12
MOTORES Espero que a pessoa que chegou a este blog em busca de informação sobre a construção de aelerons tenha saído satisfeita. Se precisar de mais alguma coisa, é só apitar. Quanto ao interessado (a) na compra de um T1 no Algarve, informamos que temos uma oferta variada não só no sul como em todo o país. Em breve nesta página, um simulador de crédito, vídeos das casas e promoções irresistíveis de mobiliário.
sexta-feira, junho 11
AIIIIIIIII Quando a vi, simpatizei com ela: loura, jovem, bonita, óculos de armações leves, quase transparentes, sorriso perfeito. Tem uma cara vulgar, mas é bonita. Chama-se Julie e mudou a minha vida. Nunca uma mulher me causou tanta dor. Hoje, pela primeira vez, arranquei um dente e posso finalmente dizer que não é uma experiência agradável. É muito penoso. Ir ao dentista nunca mais será a mesma coisa. Por causa do mau trabalho de um Norberto há cerca de dez anos, tenho hoje menos um molar. E a Julie - não podiam ter arranjado uma besta qualquer que eu pudesse odiar - bem tentou arranjar solução, mas não havia nada a fazer. Poupo os pormenores. Era o destino. Aqui, em Portugal ou noutro lugar. E como é que me sinto depois de tirar um dente em França? Dói, mas ao mesmo tempo estou satisfeito: ninguém me iludiu com alternativas pouco viáveis; não houve consultas de "preparação"; ainda não paguei nada e na farmácia, graças a um cartão electrónico que a segurança social tem chamada Carte Vitale, não tive de desembolsar um tostão para os remédios.
quarta-feira, junho 9
CHOQUE Até no estrangeiro, a notícia da morte de Sousa Franco causa comoção. Soube por telefone e durante muitos minutos foi impossível consultar os sites de informação portugueses. A SIC internacional interrompeu por algum tempo o SIC 10 horas, mas retomou a emissão e a apresentadora Fátima Lopes tentou manter o programa. Missão impossível, o convidado padre Melícias fez um longo discurso sobre Sousa Franco. Na RTP Internacional, o noticiário especial dedicado ao acontecimento foi emitindo repetidamente as imagens de empurrões no mercado de Matosinhos e fica a imagem de Sousa Franco sustentado por membros do PS e um suspiro de alívio de António Costa ao sair da confusão. Impressiona também o tom das variadas reacções, que ultrapassaram as normais declarações de circunstância. E, no fim da campanha, as trocas de insultos que estiveram sempre acima do debate de ideias são completamente abafadas pelas atitudes dignas e manifestações de respeito de todos os adversários.
segunda-feira, junho 7
NAS CERIMÓNIAS DO DESEMBARQUE George W. Bush fez um discurso comovente, mas não chorou. Jacques Chirac confessou-se "muito emocionado", mas sem deixar correr uma lágrima. As palavras de Gerhard Schroeder penetraram nos corações mais rancorosos, mas o chanceler alemão manteve-se sereno. Ainda bem que o nosso Presidente não foi. Acho que não ia aguentar.
sábado, junho 5
DIA D...OUTRA VEZ Esta semana soube-se em França que a esperança de vida dos homens (75,9 anos) está a aproximar-se à das mulheres (82,9 anos), não sei se à custa da longevidade masculina ou da mortalidade feminina. Ou seja, os franceses ganharam mais um ano às francesas nas últimas duas décadas, fumando e bebendo menos. Esta é uma boa notícia para aqueles que têm casamentos felizes. Mas outros têm destinos mais amargos. Nos últimos dias, temos sido bombardeados com documentários, reportagens, edições especiais, informação, fotografias e textos sobre o desembarque das tropas aliadas nas praias da Normandia, em 1944, que iriam libertar França e o resto da Europa do jugo dos nazis. E acreditem que é penoso ver os veteranos, de 80 anos para cima, descreverem mais uma vez como se passou, arrastarem-se pelas cerimónias de homenagem e vergarem ao peso dos vinte quilos de medalhas no peito. Resta-lhes a recordação de como aquele dia foi importante para a Europa e o mundo. Porque no próximo ano lá vão estar eles outra vez, a responder às mesmas perguntas, a verem as mesmas imagens, a repetirem as mesmas recordações.
quinta-feira, junho 3
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