sábado, junho 5
quinta-feira, junho 3
quarta-feira, junho 2

BOA ONDA Quando se tem um irmão mais velho, é normal que se seja influenciado pelos seus gostos e opiniões. No caso do futebol, ainda está por explicar porque abandonei o Benfica paterno para apoiar o FCP do bro - mas a escolha deu frutos. Mas na música, os motivos são mais evidentes: os meus pais nunca foram melómanos e foi ao som de bandas como Bauhaus, Joy Division, Sisters of Mercy, Cult, Pogues, Siouxsie and the Banshees, Cramps e Dead Kennedys e, claro, Xutos e Pontapés, que fui crescendo. A maior recordação é a das cassetes Basf cor-de-laranja compradas no café da rampa para gravar o Som da Frente do António Sérgio no nosso gravador de deck único mas com duas antenas! Muitos quilómetros de fita leu aquele gravador. Perdoem este momento de nostalgia, mas é impossível não fazê-lo quando escuto o disco dos Nouvelle Vague, um projecto de Marc Collin e Olivier Libaux, que põe ritmos pop e bossa nova a temas como "Love will tear us apart", dos Joy Division, "This is not a love song", dos PIL, "Marian", dos Sisters of Mercy ou "Too drunk to fuck", dos Dead Kennedys. Os ritmos são diferentes, as vozes femininas adocicaram as letras mais rudes e depressivas, o espírito não é o mesmo, mas as músicas ainda mexem. E para os mais novos ou aqueles para quem nada disto faz sentido, oiçam a versão que as Cibo Matto fizeram de "About a girl", dos Nirvana. O efeito deve ser o mesmo.
terça-feira, junho 1
Quem disse que o futebol não é uma forma de promover o País - e se pensarem bem vão lembrar-se de muita gente que vomitou essa alarvidade - devia pensar seriamente em passear-se na rua com um cartaz ao peito e um chapéu de cone. As provas são estas. Graças ao futebol, Portugal é muito simplesmente o País mais falado em Inglaterra e, suponho, em muitos outros países civilizados.
Para um país atulhado de estrume político e judiciário até ao pescoço, convenhamos que não é nada mau.
segunda-feira, maio 31
I'm wandering round and round nowhere to go
I'm lonely London, London is lovely so
I cross the streets without fear, everybody keeps the way clear,
I know, I know no one here to say hello
I know they keep the way clear, I am lonely in London without fear
I'm wandering round and round here
Nowhere to go
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
On sunday, monday, autumn pass by me and people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman, he seems so pleased to please them
It's good as least to live in peace and I agree
He seems so pleased at least and it's so good to live in peace and
On sunday, monday, years and I agree
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
I choose no face to look at choose no place,
I just happen to be here, and It's Ok
Green grass, blue eyes, grey sky, god bless, silent pain and happiness
I came around to say, yes and I say
Green grass, blues eyes, grey sky, god bless, silent pain and happiness
I came around to say yes and I say
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
Caetano Veloso
London London
domingo, maio 30
PS: A propósito, a esquerda vai à frente nas sondagens.
Ao contrário do que normalmente me acusam - e do que estas palavras podem dar a entender - não tenho nada contra o casamento. À excepção da música, do pai da noiva bêbedo, dos amigos do «outro lado» e dos bares abertos com VAT 69 até me divirto razoavelmente nas ditas bodas. E tendo em conta que hoje em dia existe aquela coisa chamada «divórcio» já nem sequer me sinto impelido a dizer a alguém «vê lá o que é que vais fazer». Antes prefiro dizer: «Vê lá se tens coragem de proibir a Daniela Mercury, a Fafá de Belém, a Gloria Gaynor, o Frank Sinatra, os paneleiros do YMCA e afins mariconadas». E o Whiskey levo comigo.