quinta-feira, junho 3

A REGRA tem excepções: um link para o texto barnabeico do Belo.
FEIRA DO LIVRO Por este andar, só daqui a 50 anos é que nos convidam para publicar o blog.
CHEESUS! Isto de entrar no mundo Mac tem que se lhe diga: um gajo fica viciado, passa horas à procura de novidades, a ver preços e a sonhar com um computador que custa o triplo de um PC e que não é tão eficiente nos engates como um Mercedes. Por outro lado, damos lustro às unhas quando ouvimos o vizinho do lado queixar-se de problemas com vírus, avarias nas máquinas e queixas do software. Mas quando elogiamos a inovação que a Apple traz constantemente nunca esperavamos isto. Vai uma mista?

quarta-feira, junho 2

BOA ONDA Quando se tem um irmão mais velho, é normal que se seja influenciado pelos seus gostos e opiniões. No caso do futebol, ainda está por explicar porque abandonei o Benfica paterno para apoiar o FCP do bro - mas a escolha deu frutos. Mas na música, os motivos são mais evidentes: os meus pais nunca foram melómanos e foi ao som de bandas como Bauhaus, Joy Division, Sisters of Mercy, Cult, Pogues, Siouxsie and the Banshees, Cramps e Dead Kennedys e, claro, Xutos e Pontapés, que fui crescendo. A maior recordação é a das cassetes Basf cor-de-laranja compradas no café da rampa para gravar o Som da Frente do António Sérgio no nosso gravador de deck único mas com duas antenas! Muitos quilómetros de fita leu aquele gravador. Perdoem este momento de nostalgia, mas é impossível não fazê-lo quando escuto o disco dos Nouvelle Vague, um projecto de Marc Collin e Olivier Libaux, que põe ritmos pop e bossa nova a temas como "Love will tear us apart", dos Joy Division, "This is not a love song", dos PIL, "Marian", dos Sisters of Mercy ou "Too drunk to fuck", dos Dead Kennedys. Os ritmos são diferentes, as vozes femininas adocicaram as letras mais rudes e depressivas, o espírito não é o mesmo, mas as músicas ainda mexem. E para os mais novos ou aqueles para quem nada disto faz sentido, oiçam a versão que as Cibo Matto fizeram de "About a girl", dos Nirvana. O efeito deve ser o mesmo.

terça-feira, junho 1

O FUTEBOL E O ESTRUME NACIONAL. Depois de um dia inteiro a falar de José Mourinho, a ITV dá uma reportagem de 45 minutos sobre a final da Liga dos Campeões. E lá aparecem outra vez as bandeiras do FCP e de Portugal; as imagens das entrevistas feitas no Porto, com o meu saudoso molhe por trás; os depoimentos dos jogadores, em razoável português; os elogios desbragados aos pequenos Davides da Europa, etc, etc, etc Na concorrência, quase ao mesmo tempo, começa um «especial» sobre o Euro 2004. Lisboa, os estádios, o mar, até os Açores (não me perguntem... talvez pela relva)!
Quem disse que o futebol não é uma forma de promover o País - e se pensarem bem vão lembrar-se de muita gente que vomitou essa alarvidade - devia pensar seriamente em passear-se na rua com um cartaz ao peito e um chapéu de cone. As provas são estas. Graças ao futebol, Portugal é muito simplesmente o País mais falado em Inglaterra e, suponho, em muitos outros países civilizados.
Para um país atulhado de estrume político e judiciário até ao pescoço, convenhamos que não é nada mau.

segunda-feira, maio 31

VERÃO ESTRANGEIRADO. «Fizz limão» e «Sumol de Ananás». As primeiras opiniões dos nossos leitores sobre a mudança de template, que aqui aproveito para agradecer, reflectem o espírito da equipa da casa. Atento às novas tendências, a Estrangeirados S.A. decidiu, de facto, investir numa imagem inovadora. Aos nossos criativos pedimos uma imagem fresca, arejada, saltitante, verdejante e bem disposta. Qualquer coisa, portanto, próxima dos atributos de um penso higiénico, mas com uma capacidade de absorção intelectual. E assim, de Londres e Paris para todo o mundo lusófono, eis que surge a colecção Estrangeirado Summer/2004. Esperemos que goste.
ESPANTO Em França há um movimento político presente nas eleições francesas que defende a implementação do esperanto como lingua única na UE, acreditando que isso pode favorecer a democracia e a participação de todos os cidadãos europeus. Perante o sério perigo desta candidatura e de a ideia alastrar, aconselham-se os candidatos portugueses a procurarem aqui vocabulário apropriado para continuarem as respectivas campanhas.
PEQUENAS DIVERGÊNCIAS Prefiro sumol de maracujá e não gosto de Caetano.
LONDON, LONDON. E agora, para comemorar o restyling, Caetano.

I'm wandering round and round nowhere to go
I'm lonely London, London is lovely so
I cross the streets without fear, everybody keeps the way clear,
I know, I know no one here to say hello
I know they keep the way clear, I am lonely in London without fear
I'm wandering round and round here
Nowhere to go

While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky

On sunday, monday, autumn pass by me and people hurry on so peacefully
A group approaches a policeman, he seems so pleased to please them
It's good as least to live in peace and I agree
He seems so pleased at least and it's so good to live in peace and
On sunday, monday, years and I agree

While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky

I choose no face to look at choose no place,
I just happen to be here, and It's Ok

Green grass, blue eyes, grey sky, god bless, silent pain and happiness
I came around to say, yes and I say
Green grass, blues eyes, grey sky, god bless, silent pain and happiness
I came around to say yes and I say

While my eyes, go looking for flying saucers in the sky
While my eyes, go looking for flying saucers in the sky


Caetano Veloso
London London

domingo, maio 30

FACE-LIFTING O Peter Pan já desvendou o nosso patrocinador.
EUROPEIAS Por aqui, a campanha pelas eleições tem sido discreta, com excepção da presença cada vez mais notada de Lionel Jospin, o ex-primeiro-ministro socialista que há dois anos fez birra quando perdeu para Jean-Marie Le Pen na primeira volta das eleições presidenciais e anunciou o abandono da vida política. O desejo de Jospin voltar a intervir é notório - os Guignols, a contra-informação francesa mas numa versão muito melhor, fizeram umas piadas óptimas com isso - e na sexta-feira foi estrela num comício em Toulouse, onde criticou o governo de direita. Mas sempre que lhe perguntam, nega sempre e veementemente um regresso à política. Quem é que ele me faz lembrar?

PS: A propósito, a esquerda vai à frente nas sondagens.

SUMMER II. Com o Verão chegam os casamentos. De Maio a Setembro, de fraque ou fato cinzento, nas «quintas» ou nos restaurantes «Casa de...», a pé ou sentado, ou - variação mais recente - na Igreja ou no Registo Civil. Todos os anos a mesma coisa, mas todos os anos com mais frequência. É assustador. Casar deve ser das festas mais fashion que se pode montar. Qualquer twenty-something sente que casar é condição para ser filho de Deus. Ouço as mentes mais liberais e revolucionárias culparem a futura mulher por terem de subir ao altar quando, na verdade, estão a rejubilar por dar concretização a um sonho infantil.
Ao contrário do que normalmente me acusam - e do que estas palavras podem dar a entender - não tenho nada contra o casamento. À excepção da música, do pai da noiva bêbedo, dos amigos do «outro lado» e dos bares abertos com VAT 69 até me divirto razoavelmente nas ditas bodas. E tendo em conta que hoje em dia existe aquela coisa chamada «divórcio» já nem sequer me sinto impelido a dizer a alguém «vê lá o que é que vais fazer». Antes prefiro dizer: «Vê lá se tens coragem de proibir a Daniela Mercury, a Fafá de Belém, a Gloria Gaynor, o Frank Sinatra, os paneleiros do YMCA e afins mariconadas». E o Whiskey levo comigo.
SUMMER (OU UM POST BREJEIRITO). Com o Verão chega o sol, a cerveja e os decotes. Certo? Errado! Há nove meses em Londres continuo à espera de ver o raiar da luz natural por mais de trinta minutos. Compensação: há cerveja e decotes o ano todo.

sexta-feira, maio 28

«A MIRACLE CALLED PORTO». Há duas semanas tive a ingrata função de ir para a porta dos snacks portugueses locais perguntar a um grupo de emigrantes-protótipos se a vitória do clube deles - o mesmo do seleccionador nacional - tinha uma importância especial pelo facto de viverem no estrangeiro. Para o clube em questão, como imaginam, qualquer vitória tem um sabor especial e provoca grunhidos de júbilo. Mas agora que penso na pergunta com seriedade, à escala dos Campeões Europeus, percebo como de facto o futebol é importante para as comunidades emigradas. Comprar os jornais locais e ler elogios ao clube, ao treinador, aos jogadores, à nossa cidade e até ao País faz-nos sentir bem. Ver imagens com centenas de adeptos na Alameda do Dragão transmitidas pelas televisões inglesas dá orgulho. Acham que é parolo? Eu sinto que é chique a valer.

quinta-feira, maio 27

DESONESTIDADE INTELECTUAL Há expressões muito irritantes. Normalmente, são um recurso para a falta de vocabulário e de argumentação.
TERCEIRO MUNDO As imagens da equipa do FC Porto a passar no meio de milhares de pessoas fazem lembrar o Brasil. Mas, não sei porquê, este carnaval entristece-me.

quarta-feira, maio 26

DIAS ÚTEIS Um dos programas que a SIC Internacional faz o gentileza de transmitir para os demais estrangeirados é O dia seguinte, um momento alto de discussão filosófica e intelectual de individualidades como Fernando Seara, Santana Lopes e Guilherme Aguiar, onde o tema do futebol tem uma certa preponderância. É apaixonante ver e ouvir a paixão e a minúcia com que analisam cada jogada, declaração ou notícia, fazendo do seu exercício mental um desporto mais esforçado que o dos próprios atletas. E é especialmente recompensador saber que programa tem do público da SIC Notícias uma atenção merecida que o faz o mais visto do canal e da TV Cabo.
ALVES DOS REIS Isaltino de Morais diz que Amílcar Theias, o ministro que alegadamente foi despedido por telemóvel, era "uma espécie de extraterrestre no Ministério do Ambiente".. Terá Isaltino moralidade para fazer grandes considerações sobre o seu sucessor?
ESTRANHO Uma mulher a dançar dentro do metro, em frente ao seu reflexo na porta. Um cão a passear num carrinho de bébé, empurrado pela respectiva dona. Bush e Chirac concordam sobre o futuro do Iraque.

segunda-feira, maio 24

ACTUALIZAR Os (poucos) leitores terão reparado na ausência de novidades desde quinta-feira, os mais atentos estarão admirados com a quebra da promessa deste lisboeta-parisiense portista de escrever todos os dias. Mas outros assuntos têm-me preenchido o tempo e a disponibilidade. Entretanto, o sol foi-se, veio, esteve frio, agora volta o calor. O tecto do mais recente terminal do aeroporto Charles-de-Gaulle caiu ontem, matando seis, depois cinco e finalmente quatro mortos, no mesmo dia em que ficámos a saber que Santana Lopes tem TV no automóvel pessoal. E hoje, voilà, eis que a Myriam Delay, a mãe que violou quatro das suas crianças e que na semana passada tinha ilibado 13 dos 17 acusados, volta atrás pela enésima vez, e recupera a história de uma criança que alegadamente foi morta mas cujo cadáver nunca foi encontrado. No mesmo dia em que Carlos Queirós voltou a ser despedido após mais uma época sem glória. Na quarta-feira temos o Portugal-Mónaco! Desculpem, FC Porto-Mónaco.