sexta-feira, fevereiro 13

O MARCO. Por sugestão do País Relativo cheguei ao artigo do jornalista Rui Baptista, do Público, sobre Avelino Ferreira Torres. Não tenho por hábito elogiar a concorrência profissional, por muitas razões que não explicarei aqui. Em síntese, digo apenas que normalmente não encontro grandes razões para o fazer, e que já há demasiadas pessoas a fazer esse «serviço» por mim. Hoje, no entanto, vejo-me obrigado a abrir uma excepção. O Rui Baptista, que não conheço de parte nenhuma - ou seja, isto não é um favor de «camaradagem» -, faz um retrato exemplar do autarca feudal. A escrita é criativa e limpa. As ideias são claras e estão plenamente justificadas pelos factos. Pode parecer um elogio exagerado para uma peça como qualquer outra, pesada a quatro ou cinco mil caracteres, mas não é. As minhas referências são estes textos.

quinta-feira, fevereiro 12

ADM Não sei se se lembram mas, na adolescência, a porta de entrada da casa dá directamente acesso ao frigorífico. Ora, certa vez, em plena crise de crescimento, encontrei uma tijela enorme de mousse de chocolate que a minha mãe tinha deliciosamente preparado para coroar um jantar especial preparado para os meus tios, de visita a Lisboa. Como se sabe, o chocolate é uma matéria perigosa, cuja ingestão causa sérios problemas digestivos com consequências intestinais, mesmo para o estômago blindado de um jovem. Para resumir, posso dizer que durante duas semanas ninguém se aproximou de uma certa divisão comum da casa, o que obrigou os seus habituais utentes a abusar da disponibilidade gentil da vizinha do lado. Do incidente tirei uma lição que tenho usado em diversos momentos na minha curta vida. Foi só vários meses depois, já estava eu recuperado, que fui confrontado pela minha mãe: "Se soubesses que ias causar aqueles estragos, filho, tinhas comido aquela mousse toda?" Mas como é que eu podia saber?
INÓCUO, O TANAS. Primeiro o Pedro a dizer que se está «nas tintas para ser de direita ou não», agora o Ricardo, em mais um excelente post, a dizer que tem opiniões contraditórias em relação a todas as grandes questões que têm dividido esquerda e direita. Este passeio de regresso à blogosfera está a ser compensador. Tranquiliza-me ver que a moderação sempre tem lugar entre a inteligência.
DD. O Pedro Mexia decidiu alimentar o blog a presatações mensais. Como leitor «exigente» do Dicionário só posso lamentar a decisão e ir-me contentando com os posts recentes. Há dois, em especial, que recomendo vivamente.
O primeiro, claro, sobre a guerra. «Não», diz o Pedro, não apoiaria a guerra se soubesse o que sei hoje. Continuo à espera de ouvir a mesma sinceridade de muito boa gente.
O segundo, melhor ainda, sobre a recorrente discussão esquerda/direita. É um post feito a propósito da Maria Filomena Mónica - cujo pessimismo, confesso, muito admiro - e tem revelações imperdíveis. Não o cito, linko.
RITA LEE.
Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade...

Fui ao Kazaa à procura do ritmo do poema. Escrevi o título: «Amor e Sexo». De certeza? perguntou-me logo o bicho. É que de acordo com o «adult filter» (cuja existência desconhecia) havia duas palavras perigosas na minha pesquisa. Parece-me exagerado. Que o amor seja coisa de adultos ainda consigo perceber, agora o sexo... Púdicos!

AÇORES. Para o André, recém chegado à blogosfera, um abraço e este postal amigo.

quarta-feira, fevereiro 11

INTERVALO. A emissão segue dentro de momentos.

quinta-feira, fevereiro 5

CASO JUPPÉ L'affaire dans l'affaire, é como os franceses chamam às alegadas pressões que os juízes terão sofrido e que continua a fazer correr tinta nos jornais franceses. Exactamente por ser um caso polémico, houve no meio disto muitos delírios jornalísticos. Um foi o do canal de informação LCI pôr um cameraman montado numa mota a seguir, à boa maneira da SIC Notícias, o carro de Alain Juppé à saída do tribunal. Diz-se que o senhor considerou a cena "indigna" e fez chegar as suas queixas à direcção. A fúria deve ter sido bem acalmada, porque Juppé garantiu, quatro dias depois, ao telejornal à casa-mãe TF1 13,2 milhões de espectadores durante a entrevista onde anunciou que iria manter os cargos políticos. Na mesma noite, à mesma hora, a concorrente France 2, canal público, decidiu avançar com a versão de que Jupé ia abandonar a vida política. Enganou-se, mas não enganou muita gente porque mais de um em cada dois telespectadores tinha sintonizado a TF1. A diferença para Portugal é que o apresentador, David Pujadas, apresentou desculpas no dia seguinte.
DESPORTO NACIONAL Depois de várias acções de protesto, a última das quais uma concentração ontem, em frente à Assembleia Nacional, um colectivo de movimentos que é contra a lei que visa proibir o uso de símbolos religiosos nas escolas francesas vai organizar nova manifestação a 14 de Fevereiro. Os pró-lei já responderam: manifestação a 6 de Março.
PARENTESCOS O candidato a candidato dos democratas às eleições presidenciais nos EUA John Kerry não tem só uma mulher portuguesa. Também tem um primo francês.
SOLIDARIEDADE TROTSKISTA A Lutte Ouvrière emitiu hoje um comunicado onde apoia a liberalização do aborto em Portugal. A extrema-esquerda francesa com o Bloc de Gauche.
TV POR CABO Luto com vários argumentos que me empurram a finalmente instalar a TV por cabo. Primeiro: ver filmes e séries sem pensar que o Clint Eastwood foi possuído por um ventríloquo francês. Segundo: ter mais escolha e canais de informação. Terceiro: ter a RTP Internacional. Pensando bem, este não conta como vantagem.
RÁDIO VS. TV Há dez dias que a maioria dos jornalistas das rádios públicas francesas estão em greve porque querem ordenados iguais aos dos jornalistas das televisões públicas, o que quase acabou com os noticiários radiofónicos. Na minha opinião, a reivindicação é mais que justa. O único argumento que vejo para a diferença - a exposição pública que os jornalistas de TV têm - não se aplica a todos e é um critério dúbio. Sim, porque lá por serem mediáticos não são obrigados a ir aos eventos sociais nem a dar entrevistas às imprensa cor-de-rosa.

PS: Já depois de escrever o post, li o Libération, que traz uma sondagem onde a rádio é considerada o media mais credível, à frente da imprensa. No fim vem a televisão.

DEMOCRACIA E ALARVIDADE. Um grupo de activistas contra a guerra foi assisitir ao debate sobre o caso Hutton, no Parlamento, para poder gritar a meio da sessão quando o primeiro-ministro falasse aos deputados. A iniciativa não podia ter corrido melhor (do ponto de vista deles, claro). Assim que Tony Blair começou a falar no assunto, as alminhas indignadas lá encheram os pulmões e destaram a cuspir impropérios das galerias. Seguiu-se a costumeira pausa e respectiva evacuação dos trogloditas. Do alto da minha sabedoria latino-eurpeia, não estranhei nada. Nem podia, como é óbvio. O que realmente me surpreendeu foi o semi-escândalo que surgiu depois. Durante todo o dia, os telejornais abriram com os ditos activistas aos berros no Parlamento. Nos estúdios, todos os comentadores condenavam o acto com o vocabulário apropriado à anormalidade da situação.
Gostei de registar várias coisas no acontecimento: primeiro, a surpresa que causou. Um bom sintoma que a javardice, por estas paragens, não é rotineira. Segundo, o facto de todos os deputados se esforçaram por ignorar o tumulto. Não fosse a palhaçada estar bem organizada e, ao que me pareceu, os trabalhos tinham continuado como se nada fosse. Terceiro, as reacções. Ou melhor, a falta delas. Não vi nem o presidente da Câmara dos Comuns a responder na mesma moeda, isto é, aos gritos; nem nenhum deputado a defender os animais com argumentos idiotas de liberdade de expressão. É a vantagem de a educação não ser património ideológico. E de não se confundir democracia com alarvidade.

quarta-feira, fevereiro 4

JUSTIÇA. Um certo editorial moveu paixões contra o seu autor. Eu juntei-me a essas paixões até que hoje... fez-se-me luz. O senhor tinha razão.
DEBOCHE À VISTA. Os ingleses, vou-me agora apercebendo, têm um fetiche por estudos sociológicos. Todos os dias dou de caras com conclusões alucinantes nos jornais mais sérios cá do burgo. A última é do Centro de investigação John Moores, da Universidade de Liverpool (?). Dizem os senhores investigadores que depois de ouvir umas centenas largas de jovens que no Verão rumam a Ibiza - aquela espécie rosadinha e anafadinha, portanto - concluíram que os adolescentes correm sérios riscos de vida pelos seus comportamentos «promíscuos». E agora a parte juicy : um quarto dos rapazes que fazem férias na ilha espanhola confessa ter tido relações sexuais com mais de uma parceira, no espaço de uma semana. Nas meninas, menos expeditas ou mais honestas, a taxa baixa para uma em cada sete. Juntem este facto aos 200 mil brits que vão rumar aí dentro de uns meses e durmam bem.

terça-feira, fevereiro 3

CARPE DIEM E voilà, Alain Juppé mantém-se na política, pelo menos até ser analisado o recurso. Num ano pode acontecer muita coisa. Pode ser que apareça um lór Huttóne.
TABU À LA SANTANA LOPES É hoje que Alain Juppé anuncia se fica ou não na política. Antes de conhecer a sentença que determina dez anos sem que possa ser eleito para cargos públicos, afirmou que abandonaria a vida política se fosse condenado. Mas, agora que sabe, qual será a sua decisão? Rendez-vous hoje às 20:00 horas no telejornal da TF1.
O PADRINHO Jacques Chirac, presidente da mui laica República francesa, deu ontem uma palavra de apoio ao seu amigo Alain Juppé, a quem reconhece inúmeras qualidades, entre as quais de "honestidade" e "humanismo". Disse publicamente, numa deslocação oficial no exercício das suas funções, que "a França precisa de homens assim". Não, isto não pode ser considerada pressão sobre os juízes. Ele não disse: tenho uma proposta irrecusável para fazer aos juízes...
GOOD MEMORIES Alain Juppé entrou na política pela mão de Jacques Chirac como seu conselheiro e foi da sua mão que saíram muitos dos discursos de Jacques Chirac. Foi durante a presidência de Jacques Chirac na Câmara Municipal de Paris que Alain Juppé foi tesoureiro da autarquia. Nessa mesma altura, Jacques Chirac era presidente do RPR e Alain Juppé secretário-geral. Mais tarde, Alain Juppé foi primeiro-ministro indigitado pelo presidente da República Jacques Chirac. Recentemente, Alain Juppé foi eleito presidente da UMP, o partido criado pelos apoiantes ao segundo mandato de Jacques Chirac na presidência da República.

COISAS DA VIDA Foi enquanto adjunto para as finanças de Jacques Chirac na Câmara Municipal de Paris que Alain Juppé pagou o salário a sete funcionários do RPR, partido onde na altura era secretário-geral e Jacques Chirac presidente. Foi o presidente Jacques Chirac que dissolveu o governo de Alain Juppé em 1997 e marcou eleições antecipadas, ganhas pelos socialistas. Foi durante o segundo mandato de Jacques Chirac na presidência da República, para o qual contribuiu reunindo a direita na UMP, que Alain Juppé foi condenado a 18 meses de prisão de pena suspensa e dez anos de inelegibilidade pelas irregularidades praticadas na Câmara de Paris.