terça-feira, fevereiro 3
TABU À LA SANTANA LOPES É hoje que Alain Juppé anuncia se fica ou não na política. Antes de conhecer a sentença que determina dez anos sem que possa ser eleito para cargos públicos, afirmou que abandonaria a vida política se fosse condenado. Mas, agora que sabe, qual será a sua decisão? Rendez-vous hoje às 20:00 horas no telejornal da TF1.
O PADRINHO Jacques Chirac, presidente da mui laica República francesa, deu ontem uma palavra de apoio ao seu amigo Alain Juppé, a quem reconhece inúmeras qualidades, entre as quais de "honestidade" e "humanismo". Disse publicamente, numa deslocação oficial no exercício das suas funções, que "a França precisa de homens assim". Não, isto não pode ser considerada pressão sobre os juízes. Ele não disse: tenho uma proposta irrecusável para fazer aos juízes...
GOOD MEMORIES Alain Juppé entrou na política pela mão de Jacques Chirac como seu conselheiro e foi da sua mão que saíram muitos dos discursos de Jacques Chirac. Foi durante a presidência de Jacques Chirac na Câmara Municipal de Paris que Alain Juppé foi tesoureiro da autarquia. Nessa mesma altura, Jacques Chirac era presidente do RPR e Alain Juppé secretário-geral. Mais tarde, Alain Juppé foi primeiro-ministro indigitado pelo presidente da República Jacques Chirac. Recentemente, Alain Juppé foi eleito presidente da UMP, o partido criado pelos apoiantes ao segundo mandato de Jacques Chirac na presidência da República.
COISAS DA VIDA Foi enquanto adjunto para as finanças de Jacques Chirac na Câmara Municipal de Paris que Alain Juppé pagou o salário a sete funcionários do RPR, partido onde na altura era secretário-geral e Jacques Chirac presidente. Foi o presidente Jacques Chirac que dissolveu o governo de Alain Juppé em 1997 e marcou eleições antecipadas, ganhas pelos socialistas. Foi durante o segundo mandato de Jacques Chirac na presidência da República, para o qual contribuiu reunindo a direita na UMP, que Alain Juppé foi condenado a 18 meses de prisão de pena suspensa e dez anos de inelegibilidade pelas irregularidades praticadas na Câmara de Paris.
segunda-feira, fevereiro 2
ÚLTIMA HORA. A Casa Branca acaba de anunciar que o presidente Bush, num gesto magnânimo, decidiu formar uma comissão de inquérito para investigar as informações dos serviços secretos que serviram para justificar a guerra do Iraque. O Estrangeirados também pode avançar em primeira mão que o imparcial Lorde Hutton recebeu já uma proposta para voltar a interromper a reforma e rumar aos Estados Unidos em comissão de serviço.
Ficha técnica: A informação foi apurada pelo cruzamento dos depoimentos de três fontes anónimas, todas reconhecidas pelo Sindicato dos Zeladores da Ética Profissional Jornalística e pela Associação Recreativa dos Juristas na Terceira Idade. As entrevistas foram realizadas em locais com ar condicionado, serviço de bar permanente e buffet de saladas. No final, todos os entrevistados assinaram um compromisso de honra, na qual juraram sentir-se «muito confortáveis» no papel de fonte.
Ficha técnica: A informação foi apurada pelo cruzamento dos depoimentos de três fontes anónimas, todas reconhecidas pelo Sindicato dos Zeladores da Ética Profissional Jornalística e pela Associação Recreativa dos Juristas na Terceira Idade. As entrevistas foram realizadas em locais com ar condicionado, serviço de bar permanente e buffet de saladas. No final, todos os entrevistados assinaram um compromisso de honra, na qual juraram sentir-se «muito confortáveis» no papel de fonte.
sexta-feira, janeiro 30
ORWEU. O diálogo que se segue é um exerto de uma conversa entre dois jornalistas, na redacção do jornal Farol dos Piolhos, no dia 30 de Janeiro de 2006. Num tom de exemplar civilidade, os dois profissionais discutiam a legitimidade do programa americano para a «Democratização da orla costeira africana», onde se sabia estarem refugiados os principais cabecilhas da Al Aqsa, junto de plataformas petrolíferas. Era então o maior risco que o mundo civilizado enfrentava, já que os perigosos guerrilheiros eram suspeitos de estar armados com as temíveis ogivas nucleares que podiam destruir o mundo inteiro em sete segundos e meio, fabricadas pelos melhores artífices de charutos do regime de Castro:
- É engraçado falares desses cientistas que foram fuzilados por fogo amigo, lembra-me aquele caso Hutton.
- Hutton?
- Sim, aquele em que demitiram os gajos todos da BBC depois deles terem dito que o governo tinha mentido sobre as armas químicas.
- Ahhh, esse! Mas o governo mentiu mesmo não foi?
- Mentiu, mas... (longa pausa)... agora que dizes isso, não me lembro porque é que os gajos foram acusados.
- Morreu um gajo qualquer não foi?
- Foi, o tal cientista, mas acho que esse não tinha nada a ver com a história. Á! Já sei! Eles disseram que o governo tinha «apimentado» um dossier sobre armas químicas, quando na verdade só lhe fez quinze alterações para o «tornar mais forte».
- Mmmmm....
- É engraçado falares desses cientistas que foram fuzilados por fogo amigo, lembra-me aquele caso Hutton.
- Hutton?
- Sim, aquele em que demitiram os gajos todos da BBC depois deles terem dito que o governo tinha mentido sobre as armas químicas.
- Ahhh, esse! Mas o governo mentiu mesmo não foi?
- Mentiu, mas... (longa pausa)... agora que dizes isso, não me lembro porque é que os gajos foram acusados.
- Morreu um gajo qualquer não foi?
- Foi, o tal cientista, mas acho que esse não tinha nada a ver com a história. Á! Já sei! Eles disseram que o governo tinha «apimentado» um dossier sobre armas químicas, quando na verdade só lhe fez quinze alterações para o «tornar mais forte».
- Mmmmm....
quinta-feira, janeiro 29
quarta-feira, janeiro 28
GALPALIZAÇÃO Ontem, no palácio do Eliseu, o presidente Jacques Chirac foi anfitrião de uma cerimónia de apoio ao Pacto Global, iniciativa do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no sentido de comprometer as empresas a respeitar diversos princípios éticos, sociais e ambientais na sua actividade. Dezenas de responsáveis estiveram simbolicamente presentes, entre os quais portugueses, e afirmaram o seu empenho na causa. Provavelmente, no mesmo momento, o porta-voz da Galp fazia declarações ao DN, pouco surpreendido por o ministério do Ambiente, em nome das reservas nacionais de gasolina, ter autorizado a reactivação do parque de combustíveis de Sacavém. Sim, no mesmo local para onde estava anunciado, nos velhos tempos da construção da Expo'98, "o maior parque urbano da Europa". Eis que a esperança surge no fundo o barril. Dispondo-se a zarpar para Sines, a Galp propõe a alteração ao PDM municipal para, quem sabe, se construir uma interessante urbanização, de preferência de habitação social, construída com materiais que não degradem o ambiente e respeitando a reserva ecológica do Estuário do Tejo, que por acaso é mesmo em frente. Assim, e sem infringir os exemplares preceitos louvados a 1.800 km de Lisboa, a Galp poderia vender o terreno por uns milhões de euros que ajudassem a financiar a construção de um novo parque, de acordo com outra importante norma, a de "não prejudicar os interesses da empresa". Parece aquela história do bater de asas da borboleta e do terramoto no outro lado do mundo. Ou da outra, da corrente de ar nos EUA e da constipação no Japão. Neste caso, acho que a borboleta apanhou um resfriado.
terça-feira, janeiro 27
AUSÊNCIA. Uns dias longe do ecrã e um grupo de descrentes pergunta-me logo se já desisti do blogue. Muito pelo contrário! O que aconteceu é que nas últimas semanas reparei que alguns dos nossos melhores blogs têm passado por longos períodos de silêncio. Vai disto, como não gosto de ficar atrás das elites, decidi fazer o mesmo. Portanto, se passo por este sacrifício de quando em vez, é precisamente para vos mostrar, caros leitores, que levo isto muito a sério. Muito obrigado pela preocupação.
segunda-feira, janeiro 26
WEBCAM Foi a loucura. Ano e meio depois de ter voltado a Lisboa, um camarada da resistência parisiense comprou uma câmara e lançou a inveja. Fomos nessa, claro. A primeira videoconferência resultou na perfeição e repetimos, a solo e em grupo. Mesmo depois de passada a novidade, continuávamos a gostar de falar uns minutos por dia, à noite, só para matar saudades, para trocar umas receitas ou para dar as últimas do futebol ou da política. A coisa correu sempre tão bem que decidimos marcar um jantar. Um casal de cada lado, de câmara ligada, mantivémos o costume antigo e enquanto uns trataram do prato principal os outros ocuparam-se das bebidas. Quando ligámos o programa, a carne ainda estava no formo, por isso fomos beberricando umas cervejas e fazendo as graçolas de sempre. Quando fomos para a mesa, já estávamos tocaditos. A troca de galhardetes continuou. A fechar o jantar veio o café e a mousse de chocolate da praxe, que fomos digerir para o sofá, onde os temas de conversa são mais sérios e íntimos. A música estava boa, a cerveja e a aguardente continuaram a animar até que decidimos perder o último Metro e aproveitar estes momentos, que a distância tornou mais raros. A cavaqueira continuou até tarde e foi com o amanhecer que decidimos dormir mesmo ali no chão, em camas improvisadas, como nos velhos tempos.
sábado, janeiro 24
E MAIS FUTEBOL. Há uns meses, numa breve conversa com um inglês sobre o Euro2004, perguntei-lhe como tinham corrido as coisas por aqui, em 1996. «Bem. Tirando as pessoas que viviam perto dos estádios ou que estavam directamente envolvidas na organização, quem não quis saber do assunto não soube mesmo». Em Portugal, como todos suspeitamos, isto vai ser difícil. Durante um mês, à parte do Euro, vai haver... Euro. Mas o preocupante nem é isto. Para tudo correr bem seria necessário abandonar o vício nacional do desenrascanço, que agora, por razões que me ultrapassam, está na moda elogiar. Já se viu que no que diz respeito à segurança há cursos, seminários, formação e simulações quanto baste para nos convencer que alguém se preocupa com o assunto. Se será suficiente só saberemos na altura.
Mas para que a segurança não esteja para o Euro como o défice para a economia - uma obsessão - é preciso fazer outras perguntas: as câmaras já reforçaram o pessoal para lidar com as toneladas de lixo que vai aparecer em todo o lado?; os comerciantes já providenciaram as encomendas para aproveitar o afluxo de tanta gente?; os trasportes públicos já equacionaram respostas para o acréscimo de movimento?; as mil e uma instituições de turismo já prepararam programas específicos para dar que fazer aos turistas nas semanas de intervalo entre os jogos?; os jornais e as televisões já têm equipas em número suficiente para acompanhar todas as equipas? Pois... na dúvida eu assisto de longe.
Mas para que a segurança não esteja para o Euro como o défice para a economia - uma obsessão - é preciso fazer outras perguntas: as câmaras já reforçaram o pessoal para lidar com as toneladas de lixo que vai aparecer em todo o lado?; os comerciantes já providenciaram as encomendas para aproveitar o afluxo de tanta gente?; os trasportes públicos já equacionaram respostas para o acréscimo de movimento?; as mil e uma instituições de turismo já prepararam programas específicos para dar que fazer aos turistas nas semanas de intervalo entre os jogos?; os jornais e as televisões já têm equipas em número suficiente para acompanhar todas as equipas? Pois... na dúvida eu assisto de longe.
TRADIÇÕES. O famoso double-decker londrino está em vias de extinção. Cinquenta anos depois de terem sido inventados (creio que pela Leyland), a câmara de Londres está a proceder à substituição impiedosa deste ícone genial dos ingleses. Hoje afastou-os de mais duas linhas centrais. É claro que o fim não é assumido frontalmente - até porque poderia provocar uma revolução nacional -, mas já ficou claro que todos os novos autocarros terão a fronha arrogante dos primos escandinavos. E agora o quê? Querem matar o carteiro Pat?
quinta-feira, janeiro 22
WHEN HARRY MET SALLY. A estreia da versão West End é já em Fevereiro, no Thatre Royal. Imagino que não vai ser fácil fechar os olhos e imaginar a Meg Ryan antes da plástica, o Billy Crystal antes dos filmes de terceira e Nova Iorque antes dos anos 90. Mas dou-me por satisfeito se repetirem esta passagem do evangelho das relações.
Sally: We are just going to be friends, OK?
Harry: Great, friends. It's the best thing...You realize, of course, that we can never be friends.
Sally: Why not?
Harry: What I'm saying is - and this is not a come-on in any way, shape, or form - is that men and women can't be friends, because the sex part always gets in the way.
Sally: That's not true. I have a number of men friends and there is no sex involved.
Harry: No, you don't.
Sally: Yes, I do.
Harry: No, you don't.
Sally: Yes, I do.
Harry: You only think you do.
Sally: You're saying I'm having sex with these men without my knowledge?
Harry: No, what I'm saying is they all want to have sex with you.
Sally: They do not.
Harry: Do too.
Sally: They do not.
Harry: Do too.
Sally: How do you know?
Harry: Because no man can be friends with a woman that he finds attractive. He always wants to have sex with her.
Sally: So you're saying that a man can be friends with a woman he finds unattractive.
Harry: No, you pretty much want to nail them, too.
Sally: What if they don't want to have sex with you?
Harry: Doesn't matter, because the sex thing is already out there, so the friendship is ultimately doomed, and that is the end of the story.
Sally: We are just going to be friends, OK?
Harry: Great, friends. It's the best thing...You realize, of course, that we can never be friends.
Sally: Why not?
Harry: What I'm saying is - and this is not a come-on in any way, shape, or form - is that men and women can't be friends, because the sex part always gets in the way.
Sally: That's not true. I have a number of men friends and there is no sex involved.
Harry: No, you don't.
Sally: Yes, I do.
Harry: No, you don't.
Sally: Yes, I do.
Harry: You only think you do.
Sally: You're saying I'm having sex with these men without my knowledge?
Harry: No, what I'm saying is they all want to have sex with you.
Sally: They do not.
Harry: Do too.
Sally: They do not.
Harry: Do too.
Sally: How do you know?
Harry: Because no man can be friends with a woman that he finds attractive. He always wants to have sex with her.
Sally: So you're saying that a man can be friends with a woman he finds unattractive.
Harry: No, you pretty much want to nail them, too.
Sally: What if they don't want to have sex with you?
Harry: Doesn't matter, because the sex thing is already out there, so the friendship is ultimately doomed, and that is the end of the story.
ABORTO. Já vou tarde, mas ainda vou. A sondagem do Público sobre o aborto, de dia 19, mostra-nos que a maior parte dos portugueses, entre 63 e 78 por cento (consoante sejam contra ou a favor a descriminalização, respectivamente) apoiam a realização de um novo referendo. Mais importante que isso, diz que 69 por cento dos portugueses responderiam agora que «sim» e apenas 25 por cento que «não». Quando falei do tema pela primeira vez, há cerca de um mês, criticaram-me por partir de um pressuposto errado: o de que a maioria dos portugueses era a favor da despenalização. Pois bem, agora não sou eu que o digo.
PS: É bom que ninguém tenha vindo destacar o facto de o responsável pelo estudo ser o centro de sondagens da Católica. Será, imagino, porque ninguém põe em causa o profissionalismo do dito. Mas agora que penso no assunto... não era bem isso que andavam para aí a dizer há um mês pois não?
PS: É bom que ninguém tenha vindo destacar o facto de o responsável pelo estudo ser o centro de sondagens da Católica. Será, imagino, porque ninguém põe em causa o profissionalismo do dito. Mas agora que penso no assunto... não era bem isso que andavam para aí a dizer há um mês pois não?
terça-feira, janeiro 20
COJONES. Ontem, na BBC, Tony Blair dispôs-se a ser entrevistado sobre o tema mais quente da política interna inglesa: o aumento das propinas. Não foi uma entrevista qualquer. Blair sentou-se num canto do ringue, sozinho com os seus argumentos. Do outro lado, nada mais nada menos que o mais temido peso pesado do jornalismo político britânico, Jeremy Paxman, e uma plateia de 30 pessoas composta por alunos, pais e professores, que em comum apenas tinham o ódio visceral à proposta do governo. Durante cerca de uma hora, Paxman (que é o que Margarida Marante e Manuela Moura Guedes sempre quiseram ser: um jornalista agressivo mas com uma pinta do caraças) acirrou a plateia até ao limite. E Blair, com a habilidade do melhor domador de leões, voltou a dominar a raiva na ponta da vara. Mais do que os argumentos sobre o assunto - que não diferem muito dos nossos e dos que se discutem nos restantes países europeus, calculo - o que me impressionou em tudo isto foi a coragem do primeiro-ministro. Quando é que veremos um dos nossos ilustres chefes de governo fazer o mesmo? Nunca.
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