quarta-feira, dezembro 24

CONSOADA Cumprida a principal tradição, a fritura das filhós, vamos passar ao bacalhau e ao vinho da casa - é verdade, este ano a vinha deu 60 litros! Para todos aqueles que estão fora, mas também para os outros que não estão e ainda os que gostariam ou tencionam ir, dois conselhos: não se habituem a um teclado estrangeiro poraue vão demorar uma hora a corrigir duas linhas (deixei um erro para ilustrar); tenham paciência e apetite, porque o Natal é só um dia.

sábado, dezembro 20

NOTAS. Duas rapidinhas para intervalar a lavoura forçada de sábado:
1º) De obrigado. Às duas senhoras que se prontificaram a ajudar-me na difícil tarefa de roubar e colar imagens. Não tenho o prazer de as conhecer, mas seguirei as vossas sugestões (e o vosso rasto) a partir de já.
2º) De rectificação. Ao post sobre os votos para disco do ano. Já ouvi e re-ouvi o Damien Rice e acho a coisa soberba. Melhor ainda, o homem vem a Londres lá para Fevereiro. Ou seja, se mais não houver, tenho já um bom motivo para sorrir quando pegar no bilhete de regresso.
FRUSTRASTION. Consumado o regresso «à terra» do estrangeirado parisiense (apenas para cumprir a logística natalícia, como é evidente) devo confessar que tencionava gozar estes tempos sozinho em casa para escarrapachar as fotografias todas que me apetecesse. Acontece que não sei pôr imagens. O emigrante do lado de lá nunca me ensinou. Agora percebo porquê. Antecipou a suspresa de Natal que lhe tinha reservado. É triste. Vinte e tal anos depois ainda não aprendi que as chaves de casa nunca dão acesso à dispensa.

sexta-feira, dezembro 19

NÓS E A UE. A BBC noticia o «facto positivo do dia»: a União Europeia aprovou o aumento da quota de pescas do Reino Unido em 15 por cento.
A nossa comunicação social noticia o facto positivo do dia: a União Europeia aprovou a redução da quota de pescas de Portugal em 15 por cento. Mas, na verdade, queria reduzir 49 por cento. Percebem? Parece que não, mas é muita fixe para a malta!
Os gajos papam-nos com uma pinta....
INIMIGO PÙBLICO. Para nós, estrangeirados, qualquer produto nacional que não tenha versão online pura e simplesmente não existe. É verdade que o mundo civilizado tem razões de sobra para não nos torturarmos muito com isso, mas às vezes chateia. Tenho pena, por exemplo, de ainda não ter conseguido pôr a vista em cima do Inimigo Público. Há dias, como hoje, que me mandam duas ou três piadas do dito suplemento via mail, o que ainda me dá mais comichão. Pior ainda, fui integrado na mailing list da Produções Fictícias (não sei bem a que propósito, mas agradeço) o que me valeu, à bocadinho, uma simpática mensagem de Boas Festas com a capa do Inimigo estampada. Claro está que cliquei furiosamente na imagem para ver se abria qualquer coisa... mas nada. E pronto, fiquei irritado. Não gosto que me lembrem a distância.
ABORTO II. Volto ao assunto só para fazer um esclarecimento ao André, que está em total desacordo com o meu post anterior sobre o tema. Primeiro, em relação à despenalização da IVG merecer ou não o apoio da maior parte dos portugueses: é um facto que o referendo nos respondeu que não. E sem estudos de opinião recentes sobre o assunto, é impossível aferir objectivamente qual seria a resposta neste momento. Por isso, especulemos: eu entendo que o facto de ter havido uma diferença entre o resultado oficial e aquilo as sondagens vinham anunciando explica-se com a abstenção. Se a memória não me atraiçoa (posso confirmar mais tarde) votaram 31 por cento dos eleitores e houve mais ou menos cinquenta mil votos de diferença. Ou seja, a abstenção teve, necessariamente, um papel importante a distorcer o resultado. É claro que se pode sempre alegar que podia ter penalizado os dois lados, mas também disso discordo. Primeiro porque os eleitores «sim» estavam confiantes na vitória; segundo porque os eleitores «não» estavam mais mobilizados e melhor convencidos da importância e da utilidade do seu voto.
E aqui chegamos à segunda crítica: as posições assumidas à esquerda e à direita. Desonestidade, desinformação e demagogia atribuis tu à direita. Concordo plenamente. Como dizia outro dia julgo que a Helena Matos, quando se mostram bonecos tipo Barriguitas para falar de fetos está tudo dito sobre a seriedade da discussão. Mas a verdade é que foram eles que ganharam a batalha. E agora, quer queiramos quer não, o ónus está do lado da esquerda.
Propor iniciativas com a chancela do Bloco de Esquerda ou da Juventude Socialista pode mostrar muita convicção e coerência por parte dos próprios mas não demonstra qualquer tipo de responsabilidade. Porque responsabilidade, em política, também é realismo. E não é realista assumir que as vozes de direita que desencadearam isto se iam pôr atrás das bandeiras do BE ou da JS. Incoerência deles? Talvez. Mas quem põe a causa à frente dos interesses partidários pensaria numa forma melhor de juntar essas vozes à sua luta. Não lhes atirava à cara a exigência de afrontarem o seu próprio partido.
O que conseguiram com isto, volto a dizer, foi acordar os «cães de guarda», remeter ao silêncio quem melhor lhes poderia ter servido e adiar novamente a questão.

quinta-feira, dezembro 18

CULTURAL EXCHANGE. Amiga libanesa, acabadinha de conhecer, desafia-me numa conversa política. Cursos para cá, activismo para lá, mas eu teimava em não desenbrulhar o que ela queria ouvir. Foi directa ao assunto:
- You're a leftist, right?
- Right!
Orgulho-me desta ambiguidade.
REGRAS PARA COMPRAR PRENDAS DE NATAL
1) Não vale a pena preocupar-se com isso no resto do ano. É mais divertido fazê-lo nos últimos dias. Evitar, no entanto, um centro comercial no dia 24 ao fim da tarde.
2) Esqueça os preços. Agarre o que estiver à mão porque já não vai ter tempo para voltar atrás.
3) Não pense no que as pessoas iriam gostar, mas no que elas não iriam gostar. Facilita a escolha.
4) Comece pelas pessoas de quem gosta mais. Ao fim de pouco tempo terá gasto tanto dinheiro que a preocupação vai ser "A quem é que eu posso não oferecer prenda e o que é que posso comprar barato para os restantes".
5) Se residir no estrangeiro, compre coisas com palavras na lingua indígena. Dá um toque exótico.
6) Vá cedo (sim, de manhã).
7) Privilegie o comércio tradicional. Este é um conselho da associação dos lojistas que fecham às seis da tarde, têm duas horas e meia para almoço e não abrem aos fins-de-semana.
8) Comece uma nova colecção e guarde todos os recibos. Pode entreter-se a organizá-los por tamanhos, por datas ou por valor. Vai ver que o exercício é pedagógico.

quarta-feira, dezembro 17

ABORTO. O Daniel elogia o texto sobre o aborto que o deputado Gonçalo Capitão, do PSD, publicou n’A Capital. E elogia bem. É um exemplo notável de como se podem afastar preferências partidárias para discutir opções pessoais tão sensíveis. Diz que é um texto «lúcido e honesto», apesar de ter alguns «ataques gratuitos à esquerda». E aqui engana-se. Os ataques que GC fez à esquerda têm toda a razão de ser. A esquerda não consegue ser inteligente quando fala de aborto. Pura e simplesmente, não consegue. Prefere o histerismo. E com isso só prejudica a causa que diz querer defender, como é óbvio.
As recentes declarações de membros do PSD e do CDS, surpreendentemente flexíveis, vêm provar esta triste realidade. «A maioria de direita deu sinais de abertura? Estão lixados! Vamos já fazer uma conferência de imprensa a pedir para os gajos serem coerentes e amanhã já se estão todos a desdizer... Lindo!»
Meu dito, meu feito. Vejo na televisão o Miguel Portas a falar para três jornalistas numa sala vazia e penso: pronto, é o suficiente. Já lixaram esta merda outra vez! Mas porque é que não se calam? Não perceberam ainda que é bastante mais produtivo do que andar a acirrar constantemente o outro lado? Apresentar propostas que à partida toda a gente já sabe que vão ser recusadas ajuda alguma coisa? «Apanhar» os gajos a desdizer-se tem mais importância do que contar com a ajuda de um soldado no outro lado da trincheira? Não é óbvio que a partir do momento que pedem «coerência» à maioria, eles são obrigados a responder «coerentemente contra» o Bloco?
A vocês, esquerdistas empenhados que dizem não conseguir conter a «paixão e a irritação» quando falam no assunto, algumas palavras apaixonadas e irritadas: é vossa a culpa de tudo ficar na mesma.
Não acreditam? Já pensaram porque é que andam a lutar tão arduamente por uma coisa que a maior parte dos portugueses quer? Porque vocês falharam. E continuam a falhar.
A MENTE MAIS FORTE QUE O DESPERTADOR
- Merda, os anti-corpos ainda não chegaram! Hoje tenho de ligar aos gajos e reclamar com eles. Se calhar ainda arranjo um advogado americano para os processar!
- Sim, bom dia para ti também, querida....
COMPRAS DE NATAL II. Só para rematar: parece que os nossos conterrâneos mais rodados «na Inglaterra» também vão ao Harrods à procura «daquela» panache especial e de poder relatar a viagem-capricho aos amigos com alguma referência mais familiar. Compreende-se a intenção, mas sinceramente... o Harrods no Natal? Com quinhentos mil marmanjos em filas indianas a babarem as vitrines como se estivessem a ver as relíquias de Santo António? Caros compatriotas: deixemos a dignidade do Harrods intacta para outras alturas (até porque os preços são altos e não é bonito brincar aos europeus). No circuito mainstream a única coisa que é impensável perder é o Hamleys, a melhor loja de brinquedos do mundo (dizem eles e digo eu). As crianças que se lixem, a malta é que se diverte. De resto, se tiverem a sorte de vir curtir o frio londrino e quiserem levar saquinhos cheios, corram para os mercados (todos), para o Soho, para as lojas dos museus, para todas as pequenas lojas de cinema, design, cozinha, posters ou o diabo a quatro. É fácil encontrar isto tudo. Basta ler os jornais, comprar a Time Out e não pedir conselhos à recepção do hotel.
COMPRAS DE NATAL. Passeio pelas ruas comerciais da city e ouço falar mais português do que é normal. Ou seja, o tuga imune à crise resolveu vir fazer as comprinhas de Natal ao país civilizado. O que me parece uma escolha elegante, naturalmente. Só não percebo é porque é que se dão ao trabalho de gastar tanto dinheiro na viagem para depois se enfiarem na Habitat e na Zara (palavra de honra que é verdade, eu vi!). Serão os sacos? Os empregados? Os preços não são certamente. E a estupidez não bate assim.

terça-feira, dezembro 16

MEDIA. O Pedro já o tinha dito e eu assino por baixo. Os textos do Guerra e Pas sobre jornalismo são uma escola e deviam ser publicados com urgência. É claro que a maior parte dos membros da classe atira-se ao ar com esta ideia, porque não gostou de se ver retratado numa das muitas críticas do PBM. Eu próprio, devo dizer, acho que a paróquia que conheço melhor saiu bastante desfigurada num dos textos. Mas isso é o que menos interessa. A «escola» do Guerra e Pas está no registo criativo na análise dos media, coisa absolutamente inédita entre nós. A recente classificação de colunistas é um dos melhores exemplos (com a devida vénia ao autor, confesso que até já passei o colunista-camarada e o colunista-insistente para papel). Tudo meio a brincar, mas muito a sério. O importante, por isso, nem é encadernar o blogue. É encadernar as ideias e a escrita do Pedro. Se não for por nós, os admiradores, ao menos pelos desgraçados dos estudantes de comunicação, que continuam a definhar com as teorias apocalípticas da escola francófono-dependente. É preciso dizer-lhes que o mundo real existe.

domingo, dezembro 14

SADDAM II.Tento, mas não consigo responder. Quem será mais ridículo? Canhotos mentais que relativizam momentos históricos como este (pondo-se a falar de marketing político ou dos trejeitos americanos como se fossem atentados aos direitos humanos); ou destros fundamentalistas para quem a guerra ficou um «bocadinho» mais legitimada e que estão mais excitados (é o termo) com a derrota da esquerda do que com a prisão do carrasco? Ponham os olhos neste texto.
EXAME PERICIAL aconselhado pelo juíz Rui Teixeira.


Mike Lane no The Baltimore Sun (EUA)

SADDAM. Um pequeno passo para o Iraque, um enorme passo para a Humanidade. Sem «mas».

sexta-feira, dezembro 12

JPP. Deixei de ler as crónicas de José Pacheco Pereira quando li, há dois anos, o ataque mais escabroso que se pode fazer a um jornalista. Fiz por esquecer os termos exactos que o eurodeputado utilizou nesse texto, porque achei - como ainda acho - que não vale a pena discutir insinuações, muito menos quando as mesmas partem de pressupostos errados. E acontece que eu sabia que os pressupostos estavam errados, pelo simples facto de ter presenciado os acontecimentos que o político resolveu fantasiar. Para agravar tudo isto, o tema em causa era a «antiglobalização», mais particularmente a célebre manifestação contra o G8 em Génova. Ou seja, um dos assuntos que é praticamente impossível discutir na nossa praça - antes de poder provar a seriedade jornalística da pessoa que JPP quase rotulou de activista (esclareço que não era eu) já tinha o desdém dos fanáticos de direita e a total solidariedade dos fanáticos de esquerda. Desisti, portanto. De discutir e de ler Pacheco Pereira. Porque nesse momento percebi que tudo aquilo que tinha lido e respeitado (no colunista) podia estar assente nesse mesmo nada. Ou em paixões políticas que, não sendo idiotas, não deviam servir para enxovalhar quem as não tem.
A última crónica de JPP no Público é um regresso feliz ao registo que eu gosto. Carrego no eu porque sei que esta opinião decorre exclusivamente desta experiência pessoal. Mas se isso interessar a alguém, é este JPP que admiro: com visão, background e (boa) cultura política.
MÚSICA. Devem estar aí a rebentar as listas e as votações para os discos do ano. Como estou arredado do circuito eleitoral, aproveito o espaço desta freguesia para mandar alguns bitaites pessoais. Nos internacionais, Moloko e Goldfrapp. Indiscutivelmente, digo eu, estão em grande. Muse foi assim-assim; Blur não foi mau de todo. Também achei piada a Damien Rice, mas ainda não ouvi tudo. Nos Nacionais: fado, fado, fado. Escolham o que quiserem. Eu ainda não tenho cultura para tanto, mas já estou a fazer por isso. Espero é que não seja da idade...
PS: Por falar em Miss Goldfrapp - há dias a senhora elegeu Lisboa entre as três cidades onde mais gostava de cantar, juntamente com Barcelona e Berlim. O que é bonito, convenhamos. Sobretudo porque foi publicado num jornal inglês e Londres aparecia no último lugar das preferências. O que até a mim me pareceu injusto, já que o sítio que a menina Alison normalmente escolhe quando vem aqui à capital é a Union Chapel. Uma pequena igreja do século XIX, em Islington, onde se pode ouvir música a sério com um copo de vinho tinto pousado no missal. Divino!
CIMEIRA Parece que a reunião está com um certo atraso.


Ricardo no El Mundo

DEUS Berlusconi espera um milagre para aprovar a Constituição, mas não fez distinções religiosas.


Plantu no Le Monde